Bem mais espaçosa que a matriz carioca, a filial paulistana do Teva Vegetal tem vários ambientes: uma varanda coberta, o bar, uma sala de espera e um salão interno. Imagem: Shoichi Iwashita

Não, nem peixe. Nem prosciutto. Nem queijo. Nem ovo nem ovas… Foi-se a época em que vegetarianos estritos e veganos saíam para comer e seus jantares eram reduzidos a batata frita e massa com molho de tomate, sem parmesão ralado, por favor. Mas essa nova — e muitíssimo bem-vinda — geração de restaurantes veganos com ambientes charmosos e cardápios rebuscados fazem até carnistas necrófagos (quem não tem coragem de matar animais, não gosta do cheiro de sangue ou das vísceras, mas come a carne já bem morta, bem apresentada e bem temperada) se esquecerem de que estão em um restaurante onde não entram ingredientes de origem animal, essa que é uma das bases da gastronomia, da nossa cultura alimentar ancestral, mas que vem colocando o planeta — e a nossa saúde — em risco.

O Teva é um dos precursores desse movimento. Inaugurado em Ipanema-quase-Leblon no Rio de Janeiro em 2016, o Teva se define como um restaurante de vegetais. A primeira filial, paulistana, aberta três anos depois, é bem mais espaçosa que a matriz carioca e está em um pedaço bastante interessante da Rua Cônego Eugênio Leite, no bairro de Pinheiros. Em 100 metros a partir da esquina com a rua que leva o nome do bairro, estão coladinhos vários endereços que a gente ama: as pizzas da Bráz Elettrica, a tradição italiana do Vinheria Percussi, e, no próximo quarteirão, o pain au chocolat impecável e os excelentes cafés do Futuro Refeitório, e ainda o também vegano Purana.Co.

A sustentabilidade é um dos pilares do Teva — “natureza” em hebraico —, que é o primeiro restaurante no Brasil a ter a certificação global de empresa B, criada para empresas socioambientalmente responsáveis, como os chocolates Amma e Dengo, as fazendas da Toca e da Mata, a Juçaí, os suplementos esportivos Mother e os produtos de limpeza Positivo, entre as empresas certificadas brasileiras.

E é lindo de ver. A carta de vinhos enxuta é toda formada por rótulos que seguem o manejo orgânico, natural, biodinâmico ou sustentável (e só aceitam rolha de vinhos veganos, a R$ 70); não servem nada em embalagens plásticas e as de vidro são diminuídas ao mínimo (não tem cerveja, apenas chope, e o kombucha e as águas com e sem gás vêm de um filtro); os sorvetes são feitos na casa com leite de coco orgânico, assim como todos os queijos vegetais são fermentados e produzidos in-da-house (o queijo de castanhas, o parmesão de tremoço, a ricota de toofu); as embalagens para viagem são biodegradáveis, feitas de mandioca; e, no lugar dos refrigerantes industrializados, você encontra sodas artesanais de maracujá, de morango com cardamomo, além de cola e guaraná orgânicos.
 

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SABORES SUPERLATIVOS NO QUASE-ORGÂNICO TEVA

Além da carta de vinhos, são muitas as opções de bebidas no bar do Teva: tem os drinques da casa, os coquetéis clássicos,  Gin & Tonics, drinques sem álcool, jarras de spritz e clericot, e ainda, sodas e ginger ale feitas na casa. Imagem: Shoichi Iwashita

Uma delícia de entrada: o carpaccio de cogumelo Portobello com molho de ervas, parmesão de tremoço, picles de cebola roxa e rúcula, servido com torradinhas. Imagem: Shoichi Iwashita

Por outro lado, a grande quantidade de ingredientes que formam as receitas torna difícil a manutenção do cardápio apenas com ingredientes orgânicos, que, junto com o azeite trufado na batata — um dos pratos mais populares do cardápio {saiba a verdade sobre os produtos trufados clicando aqui} — e o uso de ingredientes não locais como a quinoa, orgânica, mas importada do Peru, deixam ao Teva um caminho que ainda pode ser trilhado (bem pequeno, no entanto, por tudo o que já faz) para ser um restaurante 100% saudável, local e o mais sustentável possível. De qualquer forma, eu fiquei extremamente impressionado com a sinceridade e a transparência do dono da casa, o chef formado na Natural Gourmet Institute de Nova York, Daniel Biron, ao responder todas minhas perguntas. Em seis anos de Simonde, eu nunca havia vivenciado isso, o que me fez sentir muito respeito pelo restaurante.

Talvez por querer mostrar que comida vegana pode ser uma gastronomia com sabor, espere por uma cozinha potente e muito bem temperada, que, muitas vezes, acaba ofuscando o sabor delicado de ingredientes como cogumelos, abobrinha (para mim, japonês que preza pelo sabor autêntico dos ingredientes, o tempero está um ponto acima). Mas tudo o que você pedir no cardápio — dividido entre as muitas entradas para compartilhar, as cinco opções de principal e as sobremesas — estará feito corretamente e bem apresentado (não teve nada que eu comi e não gostei, e é uma delícia poder comer qualquer coisa do cardápio sabendo que não há a energia da crueldade com os animais em nenhum prato.

PARCIMÔNIA AO PEDIR PARA EVITAR DESPERDÍCIO

A releitura do tiramisù do Teva, feita com genoise (um pão de ló feito tradicionalmente com manteiga, o que não é o caso aqui) de amêndoas, “mascarpone” de caju, licor de amaretto, ganache de chocolate e amêndoas carameladas, não tem nada a ver com o tiramisù orginal, é bem mais denso, mas essa ode à amêndoa não deixa de ser uma deliciosa sobremesa. {Para saber onde estão os melhores tiramisù de São Paulo, clique aqui} Imagem: Shoichi Iwashita

Só é preciso tomar cuidado com a quantidade pedida. O Teva não serve couvert, e nem precisa, já que os pratos são muito bem-servidos. Se você quiser uma refeição completa, com entrada, principal, vinho, sobremesa e café, o ideal é compartilhar uma entrada ou uma sobremesa entre as duas pessoas… Ou então, apenas comer duas ou três entradas, tapas-style. Já se você estiver sozinho, peça apenas entrada + prato principal ou prato + sobremesa (e, mesmo assim, é capaz de você não conseguir comer tudo).

QUANTO CUSTA COMER NO TEVA?

A entrada pela varanda do Teva, na Rua Cônego Eugênio Leite, em Pinheiros. Imagem: Shoichi Iwashita

Para uma refeição com-tudo-a-que-se-tem-direito para duas pessoas, calcule R$ 362 (uma taça de vinho para cada, uma entrada para compartilhar, dois pratos principais, duas sobremesas, dois cafés, mais 13% de serviço). O restaurante, que fica na Rua Cônego Eugênio Leite, 539, em Pinheiros, abre de terça a sexta, das 12h às 16h e das 18h à meia-noite; e sábados, domingos e feriados, do meio-dia à meia-noite, sem fechar entre almoço e jantar (e prefira ir durante o dia: à noite, o restaurante é muito escuro; mal dá para ver as cores dos pratos, o que me incomoda um pouco). E o telefone é + 55 11 / 3062-8257.

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