A partir das cenas dos “próximos capítulos” que passa junto com os créditos finais da primeira parte (o filme tem cinco horas e meia de duração e foi dividido em duas partes, cinco capítulos na primeira, três, na segunda), Nymphomaniac Volume I não passa de uma introdução. Uma introdução profunda, repleta de interessantíssimas metáforas e paralelos sobre o sexo, em suas mais variadas etapas da vida e situações (além de inusitadas, até engraçadas, intervenções de números, gráficos e imagens que mais lembram apresentações em Powerpoint).

Joe é a narradora de sua própria história. Encontrada machucada e desacordada na rua, sob a neve (ainda não sabemos por quê), por um homem mais velho que a acolhe em sua casa, objetos como um anzol, um quadro, um livro, um tocador de fita cassetes ou um garfo de bolos junto com um rugelach (“que é um croissant e nunca deveria ser servido com garfos de bolo”, na opinião de Joe) despertam nela lembranças de sua infância e adolescência, que ela conta, sempre de forma autopunitiva, para Seligman, esse homem cultivado, com nome judeu mas não religioso, pragmático, e para quem a moral não tem muito peso (“If you have wings, why not fly?”).

Apesar de estar escrito no cartaz do filme a frase “Forget About Love”, sexo e amor estão sempre se cruzando, seja quando ela ainda adolescente cria com as amigas uma seita com regras claríssimas para se rebelar contra o amor romântico (só se pode sair uma vez com cada homem) cujo lema é mea vulva maxima vulva, seja quando ela passa a sentir um interesse além do sexual com Jerôme (Shia LaBeouf, que se consolida como o galã mais sexy e atrevido do cinema atual), ou ainda quando seu vício em sexo (em alguns momentos de sua vida ela transa com dez caras diferentes por noite) acaba por influenciar casamentos alheios, gerando problemas que acabam por render uma incrível cena com Mrs. H (interpretada por Uma Thurman).

Para Joe, sexo é prazer físico, é fonte de alívio para situações difíceis, é fuga, faz parte de um jogo de poder e sedução com o sexo oposto, é o preenchimento de um vazio existencial. E, apesar de, para ela (pelo menos até essa parte da história), o sexo ser algo que lhe traga mais angústia que felicidade, em diferentes proporções, não vejo muita diferença no papel que o sexo exerce em nossas vidas no mundo de hoje.

“Perhaps the only difference between me and other people is that I’ve always demanded more from the sunset. More spectacular colors when the sun hit the horizon. That’s perhaps my only sin.”

Aguardando ansiosamente o Volume II.

ShiaLaBeouf_Jerome_Nymphomaniac

Shia LaBeouf como Jerôme