Não há melhor maneira de começar o dia que tomar café da manhã com essa vista. Apesar do terreno montanhoso que permite quartos, piscinas e restaurante no alto, o hotel Vila d’Este tem acesso direto à Orla Bardot, no nível do mar.  Imagem: Shoichi Iwashita

A Villa d’Este, palazzo do século 16 construído em Tivoli, pertinho de Roma, pelo cardeal Hipólito II da Casa de Este — segundo filho da injustamente famigerada Lucrezia Borgia —, é dos mais grandiosos e belos projetos paisagísticos da história (e essa era apenas uma de suas residências). Exemplo quase fantástico dos jardins italianos renascentistas, com suas inúmeras fontes, lagos ornamentais, caminhos e esculturas, ela inspiraria a criação de todos os jardins da Europa nos séculos seguintes. Já o hotel Vila d’Este em Búzios não poderia ser mais diferente: com apenas 20 quartos espalhados por um terreno com plantas tropicais e montanhoso — o que garante belíssimas vistas para o mar fluminense e o pôr do sol —, a sensação é a de estar na casa de praia de amigos… mas amigos com muito bom gosto.

Além da decoração elegante das áreas comuns, com direito a um frondoso flamboyant de mais de 50 anos no pátio onde está uma das piscinas, e a vista matadora para o mar e o pôr do sola localização é perfeita, uma vez que o hotel tem duas entradas: a entrada principal pelo Alto do Humaitá, onde está a recepção 24 horas, e acesso “por baixo”, direto e discreto para a Orla Bardot, por onde você acessa facilmente a Rua das Pedras em cinco minutos a pé (se usar a entrada principal, vai ter de dar uma volta), e às praias João Fernandes em 20 e Azeda, em 25 minutos a pé. Mas não tem estacionamento, caso você esteja de carro: é preciso parar na rua. {Saiba tudo o que você não pode perder em Búzios, clicando aqui.}

No ponto mais alto do terreno, com entrada pelo Morro do Humaitá, estão os quartos Clássicos com vista jardim (onde ficava a antiga cocheira para os cavalos), a recepção, as salas, a sala de massagem, o restaurante e bar, e os quartos Vila (esses com as varandinhas), que têm as melhores vistas para a piscina de cima (foto, atrás das espreguiçadeiras) e para o mar. Imagem: Shoichi Iwashita

O restaurante, que abre diariamente das 13h às 23h, iluminado com a luz do fim do dia. Imagem: Shoichi Iwashita

Vinhos e drinques bem equilbrados acompanham os pores do sol, que, aos sábados, ganham a trilha de um DJ. Imagem: Shoichi Iwashita

A decoração dos ambientes comuns é de muito bom gosto e te fazem sentir em casa. Imagem: Shoichi Iwashita

Atrás do lindo flamboyant no pátio, um lounge para drinques. Á esquerda está a entrada para o restaurante Altto e, à direita, as salas e o acesso à recepção. Imagem: Shoichi Iwashita

O lounge que dá para a sala de massagens, ao fundo. Imagem: Shoichi Iwashita

Além da piscina no pátio principal, tem a piscina “caracol” um piso abaixo, com uma sauna a vapor acoplada (dá para acessá-la pela água, sem sair da piscina), e que só abre às 16h. E essa é a vista no fim da tarde. Imagem: Shoichi Iwashita

Outros destaques do Vila d’Este é a segunda piscina, em formato de caracol, climatizada e com a sauna a vapor conectada — dá para sair nadando da sauna para apreciar a vista —, e definitivamente o serviço atencioso e simpático; voltei com a impressão de que todos os funcionários estavam sempre sorrindo (o que é raro de encontrar em hotéis por aí). Mas, aí vem o outro lado: além do fato de eles cobrarem as cápsulas de café no quarto e a água em garrafas plásticas de uso único (eles não deixam água nem no turndown service, o preparo do quarto para a noite).

Sobre a gastronomia, não fui muito feliz quando da minha hospedagem em julho de 2013, com relação à qualidade das receitas e a execução dos pratos, e sempre me espanta encontrar ingredientes como o salmão, um peixe importado, chileno, de cativeiro, tratado com antibióticos e de águas frias… em Búzios, um lugar com abundância de peixes frescos e toda uma história relacionada à pesca. Mas, desde então, outro chef assumiu a cozinha e o Altto, o restaurante do hotel, assumiu uma proposta 100% italiana.

De qualquer forma, não tem melhor jeito de começar o dia acordando com aquela belíssima vista para o mar do café da manhã, ainda mais se você se sentar em uma das mesas coladas à grande janela que se abre quase transformando o restaurante em uma varanda coberta (por isso, chegue cedo). Ainda no café da manhã, o Vila d’Este acerta também na estação sem glúten, com pães, geleias, queijos e cereais, e nas delicadamente apresentadas receitinhas doces e salgadas que o chef prepara: uma quiche de cebola e queijo, um rocambole de doce de leite, ou ainda um bolinho de tomate seco. Só não gosto da inexistência de pratos grandes na primeira refeição do dia (o que é prática em alguns hotéis): pratos pequenos e cumbucas deveriam ser deixados para extras como frutas e cereais, já que é sempre mais confortável ter um prato grande para caber os pães, os ovos, os queijos, as geleias, sem precisar ter de ir ao buffet várias vezes para se servir, ou ter de levar dois pratinhos nas mãos.

O buffet de café da manhã conta uma bem-vinda estação sem glúten e ainda tem várias receitinhas do chef. Imagem: Shoichi Iwashita

QUANTO CUSTA SE HOSPEDAR NO VILA D’ESTE: O PREÇO DA BELÍSSIMA VISTA PARA O MAR

Dos 20 quartos, que têm entre 22 e 60 metros quadrados, apenas quatro possuem vista para o mar. E a vista é tão linda que valem os R$ 400 de diferença entre o quarto Clássico, a partir de R$ 1.050 a diária para duas pessoas com café da manhã incluído, e uma das duas Suítes Vila Frente Mar, a R$ 1.400 a diária, ambos com 22 metros quadrados. Detalhe: apesar de essas duas suítes não serem as mais caras, elas têm a melhor vista, para a piscina e para o mar (a Suíte Master é a mais espaçosa, mas como ela está mais baixa, a vista fica poluída com as árvores e os postes de iluminação da rua).

As outras duas possibilidades com vista para o mar incluem banheiras de hidromassagem privativas com vista: a Suíte Premium Frente Mar, com 28 metros quadrados e valor a partir de R$ 1.950 a diária para duas pessoas com café da manhã, e a Suíte Master Frente Mar, onde me hospedei, com ótimo custo-benefício, já que custa a partir de R$ 2.200 a diária, mas tem o dobro de espaço da suíte premium, com 60 metros quadrados, e acesso quase direto e exclusivo para a Orla Bardot.

A Suíte Master tem espaçosos 60 metros quadrados, mas faltam tomadas ao lado da cama (tive de desconectar o abat-jour para carregar o celular). Imagem: Shoichi Iwashita

A pia fica aberta para o quarto. E, aí, o vaso sanitário fechado à esquerda e a ducha, à direita, com outra porta que dá acesso à varanda. Imagem: Shoichi Iwashita

A varanda com uma jacuzzi aquecida e a vista para o mar. Imagem: Shoichi Iwashita

O paisagismo embaixo da Suíte Master, que tem acesso fácil à saída para a Orla Bardot. Imagem: Shoichi Iwashita

Da piscina caracol, está o acesso à suíte. Mas a escada é bem íngreme. Imagem: Shoichi Iwashita

LEIA TAMBÉM:

— Búzios: Com as mais belas praias do litoral fluminense (e pouca chuva), o balneário é também o mais completo destino de verão do Brasil

— Trancoso, comidinhas: Do espresso ao sanduíche passando pela típica tapioca no Quadrado

— Tiradentes: A história através dos passeios essenciais na mais charmosa e bem conservada das cidades históricas das Minas Gerais

Arte-Banner-Instagram-Divulgacao-10