Escrevendo sobre The Bling Ring, dessa juventude vazia de sentido, cínica e perversa, me lembrei de um livro que marcou meus 20 anos: Hell Paris 75016, da escritora francesa – que viveu elle même  as drogas, a noite, o consumismo desenfreado da jeunesse dorée parisienne, Lolita Pille. Pra reviver — porque Hell  é como Lolita  do Nabokov, o começo dá completamente o tom do livro — segue o primeiro parágrafo, em tradução livre:

“Eu sou uma vagabunda. Daquelas que você não suporta; da pior espécie, uma vagabunda do 16éme (bairro chique de Paris), mais bem vestida que a amante do seu chefe. Se você é garçom de um lugar ‘da moda’ ou vendedor de uma boutique de luxo, você, sem dúvida, me deseja a morte, a mim e aos meus amigos. Mas não se mata a galinha dos ovos de ouro. E minha espécie insolente perdura e se prolifera… (…) Eu sou um produto da geração Think Pink, meu credo: seja bela e consuma.”

São Paulo, 21 de agosto de 2013.