A grama é a superfície original do tênis quando esse esporte de raquete com influências francesas surgiu na Inglaterra dos anos 1860. E é sobre ela que ainda se joga em Wimbledon, o mais antigo (a primeira competição aconteceu em 1877), o mais tradicional, o mais rigoroso — e o mais elegantetorneio de tênis dos quatro Grand Slams do nosso calendário (os outros são, por ordem de antiguidade, o US Open, de 1881, em Nova York, sobre quadra dura; Roland Garros, de 1891, em Paris, sobre saibro; e o Open da Austrália, de 1905, jogado em Melbourne, sobre uma quadra sintética dura); e Wimbledon permanece o único torneio que ainda acontece sobre grama. Mas não é qualquer grama (tipo aqueles quadrados de grama que são replantados nos jardins). A grama sagrada, como é chamada por tenistas como Martina Navratilova, John McEnroe, Pete Sampras, Steffi Graf e Roger Federer, 100% Lolium perenne, é, em cada quadra, semeada (são 9 toneladas de sementes usadas a cada ano), germinada, cuidadosamente irrigada e cortada a uma altura de 8 milímetros. Grama tem o mesmo valor de ouro em Wimbledon.

The Championships, como também é conhecido Wimbledon, é o torneio de um exclusivíssimo clube privado de tênis, com quase 150 anos de idade e nome comprido: The All England Lawn Tennis & Crocquet Club Limited, ou apenas, AELTC. O clube que tem 56 quadras de tênis (!!!), tem apenas 500 sócios, dos quais 375 são sócios master, 100 sócios temporários (jogadores de tênis de todas as regiões do Reino Unido que talvez não tenham as melhores condições de treino que são convidados a treinas nas quadras mas não podem acessar o prédio dos sócios) e sócios honorários (alguns membros da nobreza e campeões do torneio). Para se tornar um full member, você não precisa de quase nenhum dinheiro (a taxa de admissão é mais barata que uma pizza de bairro, diz a guia que não pode revelar a informação, que é confidencial), mas você precisa de cartas de recomendação de outros quatro sócios master para entrar na lista de espera com mais de mil nomes, e é bem provável que você tenha de aguardar 30 anos para conseguir sua filiação. Como dinheiro apenas nunca comprará a sua filiação no AELTC e os processos são longos e improváveis, o jeito mais fácil de conseguir se tornar um sócio master é mesmo sendo um campeão do torneio masculino ou feminino, que te tornaria também quase 2 milhões de libras mais rico(a).

BEGE NÃO É BRANCO
Sendo o torneio de tênis mais antigo do mundo e estando em terras de gentlemen e ladies, Wimbledon é tão fiel às suas tradições centenárias que certas regras chegam a irritar as maiores estrelas do tênis mundial. O dress-code é super restritoall white — e se não estiver vestido adequadamente, você pode ser o Federer, você não joga. O tênis deve ser branco, inteiramente branco, incluindo as solas; outras cores, só podem ser “sólidas”, usada em uma única variação (nada de degradês), ao redor do pescoço ou em torno do punho, mas tem de ser uma faixa que não ultrapasse 1 centímetro de largura (ah, isso inclui roupas de baixo, tops e soutiens ); por último, a cor branca não inclui a cor bege (está escrito).

COMO ASSISTIR A UM JOGO EM WIMBLEDON
É um desafio. Mas a maneira mais fácil é comprar seus ingressos — bem mais caros — ou pacotes pela Keith Prowse, única agência de viagens com permissão para negociar ingressos para Wimbledon para viajantes da Europa e das Américas (outra agência é responsável pela Ásia e Austrália). Se pela loteria, que é por onde os mortais conseguem seus ingressos sem decidir o dia e em que quadra, você pagaria £ 42 (R$ 220) para assistir aos jogos da quadra 1 (os ingressos valem para o dia todo), pela Keith Prowse, você vai pagar £ 470 (R$ 2500), comprados sempre com bastante antecedência. Ou você pode comprar um pacote do Wimbledon Experience, também da Keith Prowse, para o fim de semana da final (no sábado, a final feminina, e no domingo, a final masculina), com direito a ingressos para o Centre Court nos dois dias, e se hospedando no Savoy por três noites, em quarto duplo, por £ 6745 por pessoa (aproximadamente, R$ 70 mil para o casal).

Mas se você tiver disposição e organização, você pode ser inscrever para a loteria, que abre dez meses antes do torneio (geralmente em agosto) e possui um site exclusivo para compradores internacionais (procure por Tickets > Public Ballot for Overseas Applicants ), e torcer para ser sorteado (de novo, você não consegue escolher o dia ou a quadra ou o jogo e o ingresso é absolutamente pessoal e intransferível) e ter a sua cadeira para o dia todo. Outra opção é acampar numa fila um dia antes, já que 500 ingressos são sempre disponibilizados para a venda no dia do jogo, com preços que variam de £ 50 a £ 120 (quanto mais próximo das finais, mais caros), em todos os dias do torneio, com exceção dos últimos quatro dias de semi-finais e finais. E a última opção é assistir aos jogos no telão de dentro do clube, nos lindos jardins, em clima de garden party. Seis mil ground pass tickets são vendidos diariamente, em todos os 14 dias de torneio, a £ 25 cada, e você pode levar seu piquenique para aproveitar o dia e a grama. Mas também tem de passar a noite na fila.

A VISITA ÀS QUADRAS E AO MUSEU
Se você quiser visitar Wimbledon fora do período de torneio e conhecer os palcos de tantas emoções ao longo de mais de cem anos e ver de perto os troféus, que ficam aqui (os campeões levam uma réplica um pouco menor para casa), você pode fazer uma visita guiada (só em inglês), que acontece todos os dias, começando a cada meia hora entre as 10h30 e as 15h30 e que duram aproximadamente 1h30. O tour inclui a quadra número 1 e o Centre Court, onde acontecem as finais (e o marcador mostra o resultado da última final até o próximo torneio), o prédio onde fica a imprensa de todo o mundo durante o torneio e até o auditório onde acontecem as coletivas de imprensa após as partidas. Reserve quatro horas do seu dia em Londres para ir (fica um pouco distante do centro), fazer o tour, visitar o museu e a loja, e voltar.

wimbledon-the-championships-1 A estação Southfields, da linha verde do metrô (District), onde você deve descer para pegar o ônibus número 493, para descer em frente ao portão 4, entrada de visitantes de Wimbledon, na Chirch Road. Imagem: Shoichi Iwashita wimbledon-the-championships-2 Essa é a entrada dos jogadores quando eles chegam para o mais antigo torneio de tênis do mundo. Imagem: Higor Secco wimbledon-the-championships-3 A estátua de Fred Perry, que ajudou a popularizar a polo branca entre os britânicos na década de 1950 e que venceu Wimbledon por três anos consecutivos, 1934, 1935 e 1936. Imagem: Shoichi Iwahista wimbledon-the-championships-4 O quadro de partidas do dia. Imagem: Shoichi Iwashita wimbledon-the-championships-5Desde 1978, a Rolex faz os relógios oficiais de Wimbledon. O modelo Datejust II criado com o verde do clube é lindo. Imagem: Shoichi Iwashita wimbledon-the-championships-6A quadra número 1, com capacidade para 11.500 espectadores é onde acontecem também as partidas da Davis Cup (o Centre Court é exclusivo para os jogos de Wimbledon). Imagem: Higor Secco wimbledon-the-championships-7O Aorangi Park: é aqui que você fica quando compra o Ground Pass Tickets assistindo aos jogos pelo telão instalado no jardim. Imagem: Higor Secco wimbledon-the-championships-8Quando você compra um ingresso para um jogo, a cadeira é sua por todo o dia. Se alguém tiver de ir embora mais cedo, essa pessoa pode vender o ingresso dela para você neste ponto do Aorangi Park para que você assista aos jogos na quadra durante o resto do dia. A compra é intermediada por um funcionário de Wimbledon e o preço pago pelo ingresso vai integralmente para obras de caridade. Imagem: Higor Secco wimbledon-the-championships-9São ao todo 53 quadras de tênis em Wimbledon, mas nem todas são utilizadas durante os Championships. Imagem: Higor Secco wimbledon-the-championships-10Mais uma quadra do clube The All England Lawn Tennis & Cricquet Club. Imagem: Higor Secco wimbledon-the-championships-11Mais quadras de Wimbledon. Imagem: Higor Secco wimbledon-the-championships-12A famosa Centre Court, palco das finais de Wimbledon. O relógio, ao fundo da quadra, marca o último resultado. Ela também tem um teto retrátil, o que permite que os jogos aconteçam mesmo debaixo de chuva. Imagem: Shoichi Iwashita wimbledon-the-championships-13No museu de Wimbledon, você vai conhecer a história do tênis, as influências, as modas. Na foto, um jogo de chá com o tênis como tema. Imagem: Shoichi Iwashita wimbledon-the-championships-14Nesta roda, raquetes de todas as épocas, das mais antigas às mais modernas. Imagem: Shoichi Iwashita wimbledon-the-championships-15Os ambientes do museu são super organizados e bonitos. Imagem: Shoichi Iwashita wimbledon-the-championships-16Mais uma foto do museu de Wimbledon. Imagem: Shoichi Iwashita wimbledon-the-championships-17O troféu do campeão de Wimbledon com os nomes de todos os jogadores que já seguraram essa taça gravados por um polonês que vem todos os anos à Londres especialmente para o trabalho. Como não há mais espaço na taça, os nomes estão sendo gravados agora na base. O troféu permanece no museu, o campeão leva para casa uma réplica que é 25% menor. Imagem: Shoichi Iwashita