O paisagismo em torno dos Bangalôs da Terra é mais caprichado, mas a paz, a privacidade e a vista dos quatro Bangalôs da Água compensa tudo. E dá para chegar de carro até eles. Imagem: Shoichi Iwashita

Nascidos nos anos 1960 em Mo’orea, uma das ilhas do Taiti {confira tudo sobre o Taiti, clicando aqui}, os overwater bugalows ou bangalôs sobre águas que já tomaram o mundo — das Maldivas ao México, passando por Fiji —, é dessas experiências idílicas-quase-oníricas que a gente ama ter nas viagens. Mas, se no Brasil, apesar dos nossos milhares de quilômetros de praias, não existem hotéis com essas habitações flutuantes sobre as águas salgadas (muito por conta da legislação ambiental de preservação dos biomas marinhos), eu encontrei no Paraná o Virá Charme Resort, que possui quatro charmosos bangalôs sobre as águas do lago da fazenda. E, curioso que fiquei, fui conhecer. Veja mais fotos na galeria ao fim da matéria.

A 177 quilômetros a oeste do aeroporto de Curitiba [CWB], o que dá aproximadamente 2h30 de carro ou 40 minutos de helicóptero (o hotel possui heliponto), o Virá Charme Resort era a casa de campo da família Gryczynski (fala-se “grishinski”), de ascendência polonesa, antes de ser transformada pelos proprietários em um hotel-fazenda em 1998. Os 38 chalés e bangalôs — entre Bangalôs da Água, da Terra e Chalés do Bosque — espalhados por 170 hectares garantem a privacidade e o distanciamento social, já que todas as construções estão a, no mínimo, 50 metros de distância umas das outras.
 

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OS BANGALÔS SOBRE AS ÁGUAS DO LAGO

Os jardins do Virá Charme Resort. Imagem: Shoichi Iwashita

O nosso bangalô do lago com vista para a floresta de eucaliptos. Imagem: Shoichi Iwashita

Amanhecendo. Imagem: Shoichi Iwashita

Mas o grande destaque do Virá são os quatro Bangalôs da Água. Construídos em estilo alpino com pedras e madeiras coletadas na própria fazenda (de onde vêm também a lenha para as lareiras), os bangalôs têm varandas com acesso direto à água (por isso, não acomoda crianças), máquina de espresso (e eles não cobram pelas cápsulas, comme il faut), jacuzzi com vista — e que delícia tomar banho vendo apenas a água e o verde, sem nenhuma construção do outro lado do lago —, e um pedaço de chão de vidro com um buraco ao lado por onde você pode alimentar os peixes com ração.

Apesar da vista linda para o lago e a floresta e do enxoval de qualidade, o bangalô só deixa a desejar no quesito coerência estilística. Eu amo os elementos naturais: as paredes e o teto feito com toras de madeira com as vigas aparentes, a lareira em pedra, os detalhes em ferro; materiais e métodos de construção que formam uma estrutura linda e atemporal, que não ficam datados (é tão aconchegante que a gente até perdoa a falta de tomadas ao lado da cama e o frigobar como mesa de cabeceira; felizmente, silencioso, mas fiquei preocupado quando vi). Bem diferentes do chão em porcelanato cinza, o papel de parede e os móveis de madeira sem estilo definido, e o banheiro em alvenaria com cuba quadrada, metais cromados e box de vidro.

Se você gosta de levantar tarde, também é importante levar máscaras de olhos para dormir. Como o banheiro não tem porta e tem o vidro no chão, o quarto fica bem iluminado já nas primeiras horas da manhã. Achei interessante também ouvir o canto de diferentes pássaros à noite, como eu tinha vivido no Awasi Iguazu (que não tem TV nem caixa de som e a gente acaba por despertar os sentidos para esse concerto da floresta; no Virá tem TV, mas nem liguei: aproveitei para desconectar a maior parte do tempo, uma vez que o hotel tem wi-fi, mas o sinal não chegava até o bangalô).

Em uma segunda vez, me hospedei em um Bangalô da Terra. Claro que não tem o romantismo de estar sobre o lago, pois daqui a gente enxerga as outras construções. Mas as acomodações são maiores e mais confortáveis; podem abrigar de três a quatro hóspedes (ótimo para famílias); também tem uma banheira com vista para o jardim e ainda dois chuveiros, o que é perfeito para casais (e eu amo).

{Você pode ver os stories do Virá Charme Resort nos destaques do Instagram do perfil @iwashitashoichi, clicando aqui.}

A SUSTENTABILIDADE NO VIRÁ CHARME RESORT: COMPOSTAGEM, HORTA ORGÂNICA, MADEIRA PRÓPRIA E ENERGIA SOLAR

A linda entrada para a horta orgânica da fazenda. Imagem: Shoichi Iwashita

Neste dia, pedimos para colher algumas alcachofras, que o chef do hotel gentilmente preparou para nós no almoço. #IssoÉLuxo Imagem: Shoichi Iwashita

Outra coisa bonita de ver é a disposição do Virá Charme Resort em ser um hotel sustentável. Eles ainda usam amenidades e água em pequenas embalagens plásticas de uso único — um problema ambiental simples de ser resolvido na hotelaria hoje; o que eu faço nesses casos é sempre levar minha garrafinha de metal e pedir no restaurante para encherem com a água do filtro —, mas placas fotovoltaicas suprem quase 100% das necessidades energéticas do hotel, toda a madeira utilizada na construção e reforma (além da lenha para a lareira) vêm de reflorestamento da própria fazenda, e eles ainda têm duas horta orgânica, sendo uma linda em formato de mandala, de onde saem vários dos ingredientes que abastecem a cozinha do restaurante. Os restos de comida, ou viram alimento para muitos dos animais da fazenda, ou vão para compostagem.

RESTAURANTE EM SISTEMA BUFFET EM UM LINDO EDIFÍCIO CIRCULAR COM TODA A ESTRUTURA EM MADEIRA PINUS DA FAZENDA

Impressiona a beleza de estrutura de madeira do restaurante, com todos os pilares e vigas aparentes. Mas ele vai passar por uma reforma em breve. Imagem: Shoichi Iwashita

No bufê de saladas, hortaliças orgânicas vindas da horta própria. Imagem: Shoichi Iwashita

Dá para montar pratos vegetarianos/veganos com as opções do buffet. Mas sempre dá pra avisar o chef com atecedência para ter mais opções. Imagem: Shoichi Iwashita

Uma grande preocupação que tenho em hotéis-resort isolados onde não se tem opção de comer fora é a qualidade da comida. E apesar de todas as minhas restrições com o sistema buffet — tem a questão cada vez mais discutida sobre o enorme desperdício de comida, sem falar que é impossível que qualquer receita esteja em sua melhor textura depois de uma hora no réchaud; por isso, sou sempre o primeiro a chegar —, eles estão começando a incluir pratos à la carte no restaurantea comida é boa, a estrutura arquitetônica toda em madeira do restaurante é belíssima, muitas das hortaliças vêm da horta orgânica, tem opções para se ter uma refeição vegetariana ou mesmo vegana, e eu amei comer pierogi — os pasteizinhos de massa cozida originários da Polônia (é como se fosse um gyoza, só que recheado com chucrute, cebola frita, purê de batata, queijo, dependendo da receita), que eles servem em homenagem à ascendência da família. Mas, caso você seja vegano (ou tenha qualquer outra restrição alimentar), é sempre bom comunicar o hotel antecipadamente para que ele atenda às suas necessidades (tipo, nos pratos à la carta não havia nenhuma opção vegetariana, tivemos de pedir ao chef).

Entre as sobremesas, não deixe de provar o ótimo pudim de leite e os bolos variados do café da manhã (o pão de fermentação natural, eu queria comer em todas as refeições). O Virá Charme Resort funciona no sistema pensão completa — as três refeições do dia estão inclusas no valor da diárias — e você paga à parte as bebidas (alcoólicas e não alcoólicas), o consumo do frigobar e algumas das experiências, como os tratamentos no spa.

AS EXPERIÊNCIAS POSSÍVEIS NO VIRÁ CHARME RESORT

A cavalgada para ver o pôr do sol foi das experiências mais lindas no Virá Charme Resort. Imagem: Shoichi Iwashita

A entrada do spa L’Occitane, que ocupa a casa original da fazenda, também toda em madeira. Imagem: Shoichi Iwashita

O ofuro externo, com a água aquecida a lenha. Por isso, é preciso agendar horário para que eles preparem a água. Imagem: Shoichi Iwashita

Na recém-reinaugurada casa de banhos, um lugar de relaxamento e contemplação, estão a piscina interna aquecida, a piscina externa com borda infinita e vista para o lago e a floresta do outro lado, sauna úmida com acesso direito à piscina, um lounge com poltronas e camas design perfeitos para passar uma tarde lendo e tomando um chá que você pode pedir no bar, além de uma sala de charutos, que funciona sob reserva — e, por estar no alto da construção, conta com uma varanda aberta para apreciar a vista.

No spa L’Occitane que ocupa a residência original da família, você encontra duas aconchegantes salas de tratamento (uma equipada com ofuro), loja e espaço para relaxamento interno e externo com vista para o belo projeto paisagístico da propriedade. Mas não deixe de combinar a massagem com um banho de ofuro na cabana externa em meio ao jardim (a palha do telhado que cai sobre as laterais garante mais privacidade), cuja água é aquecida à lenha (R$ 240 para duas pessoas por 25 minutos).

Outro passeio lindo-lindo que a gente fez foi a cavalgada do pôr do sol. Saímos do hotel no finzinho da tarde, passamos por extensas plantações de trigo com aquela luz de fim de dia (tipo, parecia um sonho) e fomos até o alto de uma colina ver o sol se pôr. Por isso, já coloque uma calça na mala para não sofrer com os mosquitos, a vegetação e o estribo que pode machucar a canela desprotegida.

À disposição dos hóspedes, estão bicicletas (que você retira na recepção, a um custo de R$ 20 por hora), e caiaques, stand-up paddles e coletes (esses não são cobrados) para que você possa explorar a floresta e o lago. Já a piscina e a sauna estavam em reforma quando da minha hospedagem em outubro de 2020, mas além da piscina coberta com uma área anexa que conta até com uma lareira — imagina que sonho no inverno? —, eles estão construindo outra, externa, com borda infinita e deck para tomar sol. A propósito, voltar ao Virá no inverno deve ser uma delícia com muito vinho e todas as lareiras acesas…

QUANTO CUSTA SE HOSPEDAR NO BANGALÔ DO LAGO?

Para se hospedar nos bangalôs do lago, calcule a partir de R$ 1.950 por noite, com pensão completa para duas pessoas.

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Os jardins mais lindos estão no alto da propriedade, por onde você acessa a cavalaria e quadra de tênis. Imagem: Shoichi Iwashita

Proprietária do hotel, Marina Gryczynski canta nos sábados à noite no restaurante um repertório finíssimo — e inesperado para um hotel-fazenda no interior do Brasil — com músicas de Cesaria Evora, Jacques Brel e Mercedes Sosa. Imagem: Shoichi Iwashita

O quarto do bangalô sobre o lago. Imagem: Shoichi Iwashita

A banheira com vista para o lago (mas tirei essa foto bem cedo quando havia muita cerração). Imagem: Shoichi Iwashita

A lareira, toda em pedra e madeira, o chão de vidro com o buraquinho ao lado, por onde você pode dar ração para os peixes. Imagem: Shoichi Iwashita

A rede no deck, que tem uma escada para a água. Imagem: Shoichi Iwashita

A quadra de vôlei de areia. Imagem: Shoichi Iwashita

O ofuro dentro de uma das salas de tratamento do spa. Imagem: Shoichi Iwashita