Chegou a vez de La Serenissima Repubblica di Venezia, aka Veneto, começar a votação para se tornar uma república independente da Itália e cortar os laços com Roma. No ano passado, estive pela primeira vez em Barcelona, e fiquei chocado de ver nas livrarias, seções inteiras — com livros e estudos seriíssimos — dedicadas à secessão da Catalunha da Espanha. Logo mais, em setembro, é a vez do referendo da Escócia, com o mesmo objetivo: se separar do Reino Unido. O Veneto foi um Estado independente por mais de mil anos, do século 8 a 1797, quando Napoleão Bonaparte invadiu a região e depôs o Doge Ludovico Manin. O motivo é sempre o mesmo: dinheiro. De acordo com os defensores da ideia, a Itália drena as riquezas do Veneto, que é rica e industrializada, e tem sua própria identidade, história e cultura. Mas as barreiras são grandes (para todos os Estados europeus independentistas): uma vez separados, eles estariam automaticamente fora da União Europeia. E dificilmente Bruxelas reconheceria um estado independente, já que isso abriria precedentes para várias outras regiões que pensam em fazer a mesma coisa. E isso afetaria profundamente os negócios, os contratos e a moeda. Saberemos o resultado até o fim desta semana.

São Paulo, 17 de março de 2014.