Menos de 100 pessoa conseguiram seu feito. Quem no mundo seria capaz de passar 74 dias velejando em uma competição por mares inóspitos, dormindo 20 minutos a cada duas horas, sozinho e sem poder pisar em terra firme?

Mais pessoas alcançaram o topo do Everest do que desbravadores como o britânico Alex Thomson, um dos participantes da regata Vendée Globe: a jornada marítima solitária de volta ao mundo, reverenciada por muitos como a prova esportiva mais difícil da Terra.

Alex é um dos maiores nomes da navegação mundial. Chegou em terceiro em 2012 e em segundo na edição de 2016, e só não venceu pois teve um problema em seu barco, quando liderava a prova e era franco favorito. Para 2020 ele promete não deixar escapar o título do velejador mais rápido no planeta.

Foi o recado que ele veio dar a imprensa brasileira, em recente visita a nosso litoral, à convite de sua principal parceira e patrocinadora Hugo Boss. Sua missão era levar jornalistas para navegar pela águas da Baia de Guanabara, com seu incrível Imoca 60, o modelo conhecido por ser a ‘Fórmula 1 dos mares’.

“Quando engenheiros da Ferrari, Mercedes e outras equipes entram no barco, eles não acreditam no grau de tecnologia e leveza que conseguimos imprimir no projeto”, conta o capitão que está prestes a se despedir da embarcação. Sua vinda ao Rio também serviu para anunciar que nesse verão europeu ele estreará um novíssimo Imoca 60, ainda mais rápido, mais caro e mais ecológico, com motor elétrico e painéis solares. Ele garante que será um exemplo de sustentabilidade.

Seu barco atual atinge absurdos 70km/h mas o conforto é quase zero. A cabine, como ele mesmo define, é um caixão, com um aquecedor de comida, uma rede para dormir e não há banheiro, apenas um penico, também tecnológico (não tomba), que ele brinca ser o mais caro do mundo. Durante a Vendée Globe o único apoio que recebe é por rádio, de sua competente equipe formada por 25 profissionais. Se pisar em uma ilha, ou alguém entrar em seu barco a eliminação é automática.

A solidão, o preparo físico e saudades da família (é casado e com filhos) são imensos desafios. Alguns locais da prova são tão remotos que as pessoas mais próximas são astronautas na estação espacial. “Como velejadores aventureiros, é no sul do planeta que gostamos de ir, onde as ondas e ventos são intensos e exige o máximo de nossa capacidade”, conta com entusiasmo.

Alex deve voltar ao Brasil em novembro quando chegará à Bahia para a final da Transat Jacques Vabre, cobiçada competição de vela que cruza o atlântico, partindo do Havre (norte da França) no dia 27 de outubro. Ele virá já com seu novo Imoca 60 desenhado para ser um marco na história da navegação. Para os interessados, o seu atual já está à venda por alguns milhões de libras e com incontáveis histórias fascinantes vividas pelos cantos mais inóspitos dos sete mares.

O velejador Alex Thomson no Rio de Janeiro. Imagem: Divulgação

* O jornalista viajou ao Rio a convite da Hugo Boss.