A arquitetura, a qualidade dos ingredientes e a apresentação dos pratos do Tuju — em belíssimas e variadas cerâmicas — são completamente ofuscadas pela iluminação que não valoriza as cores da comida (principalmente nas mesas ao fundo do salão), e, principalmente, pelo serviço lento, desatencioso e confuso. Você pede o couvert e trazem apenas um micropotinho de manteiga e um de sal para a mesa (de seis pessoas), esquecem entradas, trazem os pratos principais sem tirar os pratos das entradas (e lá se vai chamar alguém pra ajudar enquanto se segura os pratos), trazem pratos de outra mesa, não limpam a mesa (os jogos americanos em papel, que sujam, deixam o aspecto da mesa ainda pior), retiram os pratos colocando o corpo entre as pessoas interferindo na conversa (esse é o problema de se fazer mesas coladas nas paredes quando o garçom precisa por um só lado retirar os pratos de toda a mesa). E só foram ágeis na hora de trazer a conta — sem que tivéssemos pedido — porque o restaurante estava fechando.

O salão espaçoso — para apenas 60 pessoas — lembra um refeitório industrial-design e, por isso, não é aconchegante. A cozinha, logo na entrada do restaurante, sem nenhum vidro que te impeça de acompanhar com proximidade o trabalho dos chefs, é super bem equipada, e as hortas — na frente e na agradável área ao fundo (mas com banquetas de metal nada convidativas), com mais de 200 espécies de folhas e ervas — dão o tom do estilo que permeia a cozinha do chef  Ivan Ralston, que estagiou em grandes restaurantes do mundo, como o Mugaritz e El Celler de Can Roca, e que trabalhou por dois anos no Maní: da horta orgânica sai a Salada da Horta, com 40 tipos de folhas de vegetais, e também ingredientes de vários pratos que compõem o cardápio.

Mas, apesar da experiência do chef, da localização + investimento, do frescor e da qualidade dos ingredientes, da bela apresentação dos pratos, a comida, infelizmente, não encanta. No menu enxuto, acertam em algumas receitas, como as vieiras com raspadinha de gengibre (foto), o steak tartare com sorvete de mostarda, e os excelentes pães do couvert, mas nenhum dos outros pratos (coxinha de galinha d’Angola, feijões com foie gras, arroz mar e montanha, nhoque de abóbora ou as sobremesas) me faria voltar para comer… Sem falar no minimalismo da quantidade das porções (pode pedir o couvert, entrada, vinho — vinho é alimento —, prato principal e sobremesa) e da descrição dos pratos no cardápio: “vieiras”, “salada da horta”, “arroz mar e montanha”, o que faz com que você dependa ainda mais do garçom. Não dá pra dizer que a comida não é boa, que não é bem preparada, mas com tantos restaurantes bons em São Paulo e levando em conta o serviço do Tuju, eu só me animaria a jantar lá de novo se estivesse na região, na Livraria da Vila ou na Galeria Milan, ou trabalhando no Coffee Lab (que quase não tem comida e fecha às 20h), que são bem próximos ao restaurante.