A floresta de pândanos que marca o início da praia do Satu também serve de abrigo natural para o Sol. Imagem: Shoichi Iwashita

O Satu é daquelas praias onde a natureza foi generosa não só na beleza — porque é das mais lindas da costa sul da Bahia, preciso dizer — como também no acolhimento das nossas necessidades “contemporâneas”. Não precisa de guarda-sol porque dá para se proteger da luz sob a rica vegetação ao longo da praia; não precisa de ducha para tirar o sal do mar do corpo porque a praia tem três lagoas de água doce (que, na verdade, são riachos); e ainda tem a argila branca das falésias que garante um tratamento de corpo todo e deixa a pele lisinha e ultramacia.  

E ainda tem a paisagem. Como qualquer outra praia com piscinas naturais, é no pico da maré baixa que você vai viver o melhor do Satu. Por conta do acesso isolado desta bela praia entre o Espelho e — a três quilômetros de — Caraíva, é imprescindível planejar a sua visita baseando-se nos tempos da natureza. 

Como as marés mudam todos os dias — a maré alta aqui pode ser brava, impedindo a passagem por alguns trechos — e elas dependem de diversos fatores como as fases da lua, a tábua das marés de Porto Seguro/Caraíva e a previsão do tempo vão ser seus amigos para programar não só o horário da sua ida como o seu dia e a hora de ir embora, dependendo se você for a pé, de carro ou de barco. 

É só no pico da maré baixa quando você vai aproveitar as piscinas naturais. Imagem: Shoichi Iwashita
As belas paisagens da praia do Satu do topo da falésia
Não deixe de subir ao topo da falésia para ter uma vista panorâmica da bela paisagem. Imagem: Shoichi Iwashita

O QUE FAZER NA PRAIA DO SATU: AS PISCINAS NATURAIS, AS LAGOAS, A VEGETAÇÃO DRAMÁTICA, AS BARRACAS E BEACH CLUBS, A ARGILA

Satu Beach Club na praia do Satu
No Satu Beach Club, é bom fazer reserva para curtir seu espacinho na areia. No cardápio, cervejas, caipirinhas e pratos básicos como peixe assado ou peixe frito, camarões empanados, acompanhados de arroz, feijão, farofa e salada. Só atenção pois na alta temporada eles cobram R$ 250 de consumação por pessoa. Imagem: Shoichi Iwashita
São três as lagoas ao longo da praia do Satu. Apenas conheça as três, pois são lindas. Imagem: Shoichi Iwashita
No Mangaba Satu, além das caipirinhas caprichadas, está a melhor comida da praia. Na foto, a moqueca vegana com batata doce, abobrinha e banana da terra. Saudável, responsável com a natureza e uma delícia. Não deixe de provar os dadinhos de tapioca acompanhados de um molho apimentado de abacaxi. Imagem: Shoichi Iwashita

É caminhando por sua extensão de 2,5 quilômetros que você vai se encantar com a floresta de pândanos, uma vegetação com raízes externas e copas frondosas, que marca o início da praia, em frente às piscinas naturais que se formam na maré baixa, e os belos e fotogênicos troncos de árvores arrancados pelas marés violentas, que seguem vivos ou renascendo, mesmo que tombados na areia. 

As formações coralinas vão do cinza vulcânico a incríveis tons rosados e, junto com o verde do musgo que cobrem algumas delas, dão um lindo contraste não só com as águas (dependendo da luz do sol, em vários tons de azul) como também com as areias branca e preta, e seus muitos desenhos. Há trechos da praia que essa areia preta formada por compostos orgânicos da vegetação que dá o tom também das águas escuras das lagoas sobrepõem completamente a areia tradicional. E basta cavar um pouco para descobrir a areia clara por baixo dela.  

Apesar de cada vez mais conhecido por já fazer parte da programação dos frequentadores de Caraíva, o Satu é uma praia que fica dentro de uma propriedade particular (uma enorme fazenda de cocos) e ainda guarda aquela atmosfera de natureza quase intocada e praia quase deserta. Além das belezas naturais, há quatro ou cinco barracas (mas, dependendo do dia só tem duas abertas), concentradas entre as piscinas naturais e a primeira lagoa. 

E elas vão desde a rústica barraca do Dedé, neto do seu Satu, o homem que deu nome à praia, onde você pode tomar uma caipirinha e comer um pastel de arraia sentado numa esteira de palha à beira do lago de água doce, ao estruturado Satu Beach Club, com direito a lounges na areia e música eletrônica e patrocínio de cerveja, passando pela boa comida do Mangaba Satu, onde você não deve deixar de comer as delícias preparadas pela cozinheira Eva, como a coxinha-sem-massa de siri e a moqueca vegana com batata doce, banana-da-terra, abobrinha e cenoura servida com pirão, arrozinho e farofa. 

São três “lagoas” ao longo dos 2,5 quilômetros da praia do Satu. E, geralmente, as pessoas só vão à primeira lagoa e voltam. Não faça isso. Já que você já veio até aqui, vá até o fim da praia. Porque a segunda lagoa é mais ampla — e mais vazia — que a primeira; e a terceira lagoa, quase na ponta de Juacema, é a mais cenográfica de todas, com coqueiros e um paisagismo lindo.

Para o seu skincare, tem uma sinalização de argila ao lado da barraca do Dedé — aqui ela está seca, aí, você precisa molhar na água do lago para dissolvê-la e passar no corpo —, mas se você caminhar até o fim da praia, na deserta ponta de Juacema, tem uma biquinha de água e muita argila pronta para passar no corpo todo. E o melhor: dá para curtir tudo sem roupa, do jeito que você veio ao mundo. 

COMO CHEGAR À PRAIA DO SATU (E IMPORTANTE, IR EMBORA): A PÉ PARA TODO MUNDO, DE CARRO PARA POUCOS OU AINDA DE BARCO

Na estradinha de terra no sentido Trancoso – Caraíva, é só entrar à esquerda quando vir esse pneu verde. Imagem: Shoichi Iwashita
De carro, o Satu só está acessível atravessando uma propriedade particular. Por isso, é preciso ter uma reserva para ter ser nome na lista e ser liberado na porteira. Imagem: Shoichi Iwashita

Existem três formas de se chegar à praia do Satu. A primeira é vir caminhando por três quilômetros pela orla a partir de Caraíva, mas só depois de cruzar o rio de barco, com os tradicionais canoeiros que fazem a travessia (R$ 7,50 por pessoa). Calcule uma hora para percorrer o trajeto.

É importante que você saia de Caraíva quando a maré estiver baixando, uma, duas horas antes do pico da maré baixa — por isso, é imprescindível consultar a tábua de marés —, para que você não precise passar por cima de pedras ou caminhar pela areia fofa, que cansa muito mais. E também para aproveitar as piscinas naturais do Satu quando a maré estiver no pico da baixa quando você tiver chegado lá. 

O problema de vir a pé é que depois da caminhada de Caraíva até aqui, passar o dia no mar e na lagoa, e comendo e bebendo, pode dar aquela preguicinha de voltar a pé. Ou então, se a maré estiver alta pode não conseguir mesmo voltar pela orla. Por isso, mais uma vez, é preciso saber sobre os horários das marés do dia. 

Aí, o que você pode fazer é perguntar para o pessoal das barracas se eles conseguem um carro para te levar de volta a Caraíva. Muitos deles fazem o traslado com carro próprio e cobram R$ 50 por pessoa para te deixar lá na travessia do rio. 

DE CARRO

De carro, você virá pela estrada de terra de Caraíva, e, no sentido Porto Seguro – Caraíva, vai entrar à esquerda quando você vir um pneu verde pendurado na cerca. Uma estradinha de areia fofa vai te levar até a porteira de uma propriedade particular, a Fazenda Caraíva. E é por isso que para ir no conforto do seu carro para a praia do Satu, é preciso se programar. Para passar pela porteira, é preciso ter reserva em uma das barracas da praia — a Coral do Mar ou a Satu Beach Club — ou na pousada e barraca Mangaba Satu. Como cada estabelecimento pode ter até três carros estacionados simultaneamente, é preciso garantir sua reserva.

E vale a pena. Passando pela porteira, você vai dirigir por uma linda fazenda de coqueiros até chegar a uma pista de pouso de terra à beira da falésia. Só não deixe de ir a uma das pontas da pista que oferecem uma bela vista panorâmica para a praia e o mar. 

DE TÁXI

Com reservas feitas, você também pode ir de táxi. Depois de cruzar o rio Caraíva, o trajeto custa R$ 120 e eles conseguem te deixar na beira da falésia dentro da fazenda para acessar as escadas que descem para a praia e as barracas. 

DE BARCO

Caso você esteja em qualquer lugar da costa sul da Bahia pode contratar um barco para te levar, esperar e te levar de volta. Só atente-se para o fato de que pode ser uma aventura subir no barco se a maré estiver alta e as ondas, violentas.  

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Depois de dirigir por uns cinco minutos pela bela fazenda de coqueiros, é através desta pista de voo de terra que você vai conseguir acessar as escadas para a praia e todas as barracas e pousadadas da praia do Satu. Imagem: Shoichi Iwashita
A barraca Coral do Mar é a que fica bem no começo da praia, junto aos pândados. Mas a maré alta toma praticamente toda a faixa de areia. Imagem: Shoichi Iwashita
A atmosfera da praia do Satu, onde moram duas pessoas. Imagem: Shoichi Iwashita
Os troncos derrubados pelas maré brava deixam a praia ainda mais bonita. Imagem: Shoichi Iwashita
As muitas cores e padronagens das falésias e a areia preta, que ganha essa cor por conta dos compostos orgânicos das lagoas. Imagem: Shoichi Iwashita
Pedras coloridas incrustadas nas falésias. Imagem: Shoichi Iwashita
A terceira lagoa, acessível também pela pousada Ponta de Juacema é a mais linda pra mim. Para nadar, a segunda é a melhor e a mais vazia, já que grande parte das pessoas visitam a primeira lagoa e voltam para Caraíva. Imagem: Shoichi Iwashita
No fim da praia, nas falésias que levam para a Praia do Espelho, tem muita argila para passar no corpo (nesta prainha, tem uma bica de água e argila está sempr úmida e pronta pra usar). E a praia é tão deserta que é perfeita para os amantes do naturismo. Imagem: Shoichi Iwashita
As cores da praia do Satu, nas formações coralinas que formam as piscinas naturais. Imagem: Shoichi Iwashita