Esquiar e se deparar com construções de madeira e de ferro abandonadas do século 19 no meio das montanhas (uma paisagem única entre os resorts  de esqui no mundo), imaginando que existem dois mil quilômetros de túneis subterrâneos (!) a uma profundidade de até duas vezes o tamanho do Empire State Building por baixo das pistas (!!), e se deparar com grafites de Banksy pelas ruas do centrinho histórico da cidade, são apenas algumas das emoções que se têm em Park City, essa cidade fundada em 1884 durante a “corrida para o Oeste”, graças à descoberta de enormes minas de prata que foi fonte de riqueza de dezenas de fortunas dos Estados Unidos (entre elas, a da poderosíssima família Hearst).

E viajar para Park City é isso: se aventurar por 256 quilômetros de pistas, a maior área esquiável dos Estados Unidos, administradas pela Vail Resorts (a mesma de Vail, Beaver Creek, Whistler Blackcomb, e outros dez resorts de esqui no mundo).Sua vocação para a prática de esportes de inverno, no entanto, é recente: a brusca queda do preço da prata no fim do século 19 — que permaneceria pela metade do valor até o fim da Segunda Guerra Mundial — fez com que a cidade fosse abandonada (quase se transformando em uma daquelas cidades fantasmas típicas dos faroestes), até quando novos desbravadores perceberam a qualidade da neve nas muitas montanhas da região — pense em uma enorme quantidade de dias com neve powder — e decidiram construir as primeiras estruturas para a prática de esqui no começo dos anos 1970.

Por isso, Park City, que tem a Main Street como principal — e charmosa — artéria, abriga mais de 60 construções tombadas pelo patrimônio histórico — incluindo lindas, coloridas e bem conservadas casinhas de madeira com mais de 100 anos; parecem casas de bonecas — que fazem um interessante contraponto com a tecnologia de ponta para a prática de esportes.

Não só. Park City abriga ainda o Sundance, um dos mais importantes festivais de cinema do mundo (de filmes independentes; quando os hotéis ficam lotados mas as pistas vazias); alguns dos melhores restaurantes dos Estados Unidos; bares com shows de rock e muita cerveja artesanal (tem até um bar-destilaria histórico ski-in!); e ainda barbearias hipsters, ótimos cafés, livrarias, biblioteca municipal, lojas charmosas, vários lugares orgânicos e vegetarianos (interessantemente quase todos com donos australianos)… Ou seja, tudo o que a gente gosta na cidade em um destino de esqui.

Não há, no entanto, o mesmo nível de hotelaria de luxo que se encontra em Courchevel 1850, mas lá também não tem toda essa história; nem livrarias.

O transporte público gratuito, a oferta de atividades únicas como andar de bobsled na pista do Utah Olympic Park (que abrigou as Olimpíadas de Inverno de 2002) ou fazer yoga-sobre-um-stand-up-paddle-dentro-de-uma-gruta-com-águas-termais (!), além do fato de você estar no estado mórmon de Utah (com suas estranhas leis), e, claro, a excelente qualidade da neve, fazem de Park City, que um dia foi da prata e hoje é da neve, um destino de esqui com zero concorrência.

O MELHOR JEITO DE CHEGAR A PARK CITY

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A base do Mountain Village, onde, além do acesso para os lifts, estão lojas, cafés, restaurantes, quatro hotéis, banheiros e a escola de esqui e snowboard. Outra base dessas é Canyons Village, a oito minutos de carro daqui. Imagem: Shoichi Iwashita

Como não gosto de voos curtos (gosto de poder dormir oito horas, além do tempo de decolagem, jantar, café da manhã e aterrissagem), o jeito mais confortável de se chegar à Park City é pegando o voo de 12 horas da American Airlines para Los Angeles, que está fazendo a rota São Paulo GRULos Angeles LAX com o novo Boeing 787-9 Dreamliner {clique aqui para conferir o nosso voo na Premium Economy desse avião}, e, lá, fazer uma rápida conexão com destino a Salt Lake City SLC. Aí, é só pegar o carro para uma viagem de apenas 30 minutos (em ótimas estradas) até a porta do seu hotel.

O MELHOR JEITO DE SE LOCOMOVER: DÁ PARA SER CAR-FREE

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O Egyptian Theatre, onde acontece o Sundance Film Festival, na Main Street, e o ônibus gratuito. Imagem: Shoichi Iwashita

Apesar de o hotel mais charmoso de Park City ficar no centrinho, os hotéis ski-in-ski-out  não ficam na região onde está a Main Street. Por isso, para transitar pela cidade e arredores para outras atividades além-ski, você pode ou alugar um carro (que dá mais liberdade), ou então, usar o mix  Uber (que funciona superbem, ônibus gratuitos da cidade (mas eles podem demorar a passar) e transfers com o hotel (o que eu prefiro para evitar a responsabilidade sobre o carro).

ONDE SE HOSPEDAR E OS MELHORES HOTÉIS EM PARK CITY

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A sala do hotel Washington School House onde é também servido o chá da tarde. Imagem: Shoichi Iwashita

São duas as “entradas” para as montanhas: Canyons Village, a 10 minutos de carro do centro de Park City, onde estão os melhores hotéis; e Mountain Village, praticamente no centro da cidade. E no quesito hospedagem, é preciso conhecer as opções e fazer concessões.

O hotel mais bem localizado para o esqui é o Grand Summit, que pertence à Vail Resorts (e de seu portfólio, é o melhor: correto, com clima de montanha e que dá direto nos lifts (você anda 50 metros e está lá).

O mais luxuoso — e com um spa  excelente — é o Waldorf-Astoria, também em Canyons Village; mas, daqui, é preciso andar 50 metros e pegar um lift  que vai dar em frente ao Grand Summit e, daqui, andar mais um pouco para chegar aos lifts  principais.

Já o mais charmoso e completamente boutique  é o Washington School House Hotel (foto acima), porque ocupa uma residência histórica e tem aquela decoração sóbria, contemporânea e elegante de que a gente gosta; mas por estar no centro de Park City, você vai precisar andar 300 metros para chegar ao Town Lift, o sistema de elevação que sai do centro da cidade para a montanha {confira mais detalhes sobre cada uma desses hotéis e veja todas as nossas fotos, clicando aqui}.

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