Com já dizia Josephine Baker, a vigorosa dançarina e cantora negra norte-americana que seduziu Paris nos anos 20 (apresentando um show  vestida apenas com – pouquíssimas – plumas): “J’ai deux amours, mon pays et Paris…”  (tenho dois amores, meu país e Paris) Nenhum outro lugar do mundo foi tão retratado em versos, seja na literatura ou na música, quanto a Cidade-Luz. E em Paris, aproveitar a bela paisagem urbana flanando com uma trilha sonora genuinamente française  pode intensificar a experiência e marcar na memória a combinação {paisagem + música} para sempre (além de nos fazer sentir aquela mesma melancolia profunda que está nos genes dos parisienses). Seja pelas ruazinhas de Montmartre acompanhado por Edith Piaf e Yann Tiersen; à beira do Sena no fim da tarde ou pelo Quartier Latin com Charles Aznavour; pelo Louvre, Opéra, Comédie Française e Palais Royal com Ravel; ou pela Saint-Honoré com Vive la Fête, a música francesa – ou melhor, francófona – tem clássicos, clichês e histórias para todos os gostos.

OS ETERNOS
J’ai Deux Amours, de Josephine Baker. A música que abre nossa lista é cantada pela Vênus Negra, a norte-americana — e primeira estrela negra da história do showbiz  e vedette  da Folies Bergère — que de tão apaixonada se naturalizou francesa em 1937. Nessa música, ela canta que tem dois amores: seu país e Paris. Uma declaração de amor que renderia ainda outras músicas homenageando o a cidade que a acolheu, incluindo um álbum Josephine Chante Paris, lançado em 1961.

À Paris, de Yves Montand: uma das minhas prediletas. Interessante observar a mudança da voz do cantor em diferentes etapas de sua vida cantando a mesma música.

Sous Le Ciel de Paris: Apesar de cantada por vários artistas franceses (Mireille Mathieu é um pouco histérica em sua versão), as nossas definitivas são as versões de Edith Piaf (abaixo) e Yves Montand, com aquele peso e nostalgia que combinam tanto com a música e com a old  Paris dos grandes chansonniers.

La foule, de Edith Piaf: outro clássico da Môme  (“a pequena, a criança”, como era conhecida a cantora), maior representante da chanson française. Amo-amo-amo  o começo desta música.

Paris Sera Toujours Paris, de Maurice Chevalier. La plus belle ville du monde…

La Bohème, de Charles Aznavour: uma das mais lindas músicas do nosso repertório aborda a época que ficou congelada na memória afetiva de todo o mundo; a dos artistas e pensadores, românticos e pobres, que viviam para suas ideias, passando frio e quase fome, discutindo nos cafés  de Saint-Germain, quando esses ainda eram acessíveis e um chocolate quente no Flore não custava 10 euros.

Paris Mai 1968, de Claude Nougaro: música — quase um rap — forte, emocionante, panfletária, que trata do movimento estudantil que marcou a história da França e do mundo em maio de 1968.

Les Champs-Elysées, de Joe Dassin: baladinha sobre a avenida mais turística da cidade; pra cantar com a turma em qualquer karaoke.

Todas de Dalida, a grande diva da música francófona — apesar de seu sotaque —, que foi Miss Egito, atriz e tinha o mundo a seus pés. Uma maneira de a gente se conectar com a pluralidade étnica dessa cidade que acolheu tantos imigrantes. Abaixo, Je Suis Malade, a minha favorita de todas.

La Valse d’Amélie  e L’Après-Midi  de Yann Tiersen são músicas belíssimas que nos fazem viajar pelo universo lúdico e apaixonante da Paris de Amélie Poulain. Umas das melhores trilhas para promenades  na cidade. Quem não se apaixonou pelo filme, né?

J’Aime Plus Paris, de Thomas Dutronc. Uma música anti-Paris com uma baladinha deliciosa.

Dernière danse, de Indila. Uma música linda — sucesso de 2014 — desta cantora francesa cujo nome verdadeiro é Adila Sedraïa. Não perca o clipe lindo repleto de Paris.

E, para fechar, uma das minhas favoritas da nouvelle génération: Zaz!, com a música Les Passants, numa versão acústica, voz e violão, no meio da rua, em Montmartre. Não deixe de conhecer todas as músicas dela:

E você? Tem alguma música que te faça viajar para Paris?