Minha irmã foi com marido e filhos visitar amigos em uma cidadezinha do interior japonês. Quando chegaram ao quarto do hotel, percebeu o odor de cigarro do quarto para fumantes e logo desceu para pedir outro. Como não havia nenhum outro quarto não-fumante disponível no momento, saíram para as visitas. Quando voltaram – o funcionário do hotel não falava inglês e eles tampouco estavam se entendendo em japonês -, o recepcionista lhe pediu a chave do quarto e deu uma outra. Ela ainda tentou explicar que precisava retirar suas coisas, sem sucesso. Preocupada com as coisas que estavam no quarto (e com vergonha da bagunça das crianças e de uma calcinha que estava no box  do banheiro), pediu para que seu marido fosse até o quarto antigo esperar o funcionário do hotel chegar para que ele o ajudasse a trazer as coisas; e foi para o quarto novo com as crianças. Quando chegaram ao quarto novo, uma surpresa: todas as suas coisas já estavam lá. Mas o que mais a impressionou é que eles não só trouxeram todos os seus pertences, mas deixaram tudo EXATAMENTE do mesmo jeito, na mesma disposição que estava no quarto anterior; até a calcinha no box do banheiro; até o jeito como a meia estava jogada sobre o tênis; toda a bagunça. É como se eles tivessem entrado exatamente no mesmo quarto, só que dois andares abaixo. Quando meu cunhado voltou para o quarto, ficaram os dois, alguns minutos, pensando sobre o que tinha acabado de acontecer. Um dia depois, minha sobrinha (ainda pequena) perguntou: “Mamãe, quando é que eles vão nos trocar de quarto?”. “Nós já trocamos, minha filha. Só que você não percebeu… Porque você tá no Japão.”