Junto com Paris, Nova York foi e continua sendo uma das cidades mais fotografadas, filmadas, escritas e cantadas do mundo. Símbolo-mor do progresso, terra-mãe dos arranha-céus (em 1902, a cidade já tinha 66 prédios com mais de 25 andares), – das portas pesadas que abrem para fora (ô confusão!) –, da pop art, dos musicais, e de grandes capitalistas que transformaram um país ainda na adolescência na maior potência do mundo (Morgan, Carnegie, Ford, Frick, Rockefeller entre muitos outros), a ilha de Manhattan (ponto de partida para o que viria a ser a megalópole Nova York), apesar de já ter sido capital dos Estados Unidos, continua a ser a cidade mais importante – e mais rica – das Américas.

Nova York também teve seus antagonistas. Gangs  bárbaras dominavam as ruas da ponta Sul da ilha no século 19 (lembra do filme do Scorsese Gangs of New York? O filme é praticamente um documentário); a máfia italiana estava infiltrada em todas as esferas da sociedade até recentemente; e não faltaram corruptos, ladrões, vândalos e todas as sortes de marginais assombrando a cidade por muito tempo, que até meados dos anos 1990 não era nada segura.

Mas hoje “a grande maçã” brilha. A cidade anda mais do que comportada depois da limpeza “física” e “moral” promovida pelo prefeito linha-dura Rudolph Giuliani (que governou até 2002) – puritano e intolerante como Peter Stuyvesant, o primeiro prefeito holandês que a cidade teve no século 17 – e mais interessante do que nunca: lojas e mais lojas, restaurantes estrelados, uma programação cultural infinita (de música erudita a galerias que ditam as regras no mercado internacional de arte), ocupando essa cidade prática e pragmática, onde o planejamento urbano se iniciou há duzentos anos (olha que exemplo) e que tem na ambição, no poder, no status e no sucesso as bases de sua existência.

Foto: @alifewortheating no Instagram