Se você assistiu ao Volume I e viu as “cenas do próximo capítulo” nos créditos finais e achou que o filme finalmente aconteceria no Volume II, sinto muito; por você e por mim. Ninfomaníaca Volume II segue denso, infantil, quase bobo em todas as análises cheias de referências eruditas e ordinárias (das fugas de Beethoven a nós de alpinismo, passando pelo Grande Cisma), mas sempre rasas e em associações nem sempre inteligíveis. A diferença é que Joe, a protagonista, que agora é mãe, passa a explorar os limites — os seus e os nossos em ver as cenas — do sexo (ainda que sem prazer), da sexualidade e da moralidade burguesa e hipócrita da sociedade (e a gente não tem uma cena como a Uma Thurman no Volume I que faz valer o filme). Sadomasoquismo (a propósito, essa seria a melhor sequência do filme com Jamie Bell interpretando K), sexo interracial (onde não só a cor da pele é diferente, mas a cultura do sexo e nem existe possibilidade de comunicação), pedofilia, virgindade, assexualidade são dos temas abordados e vividos física ou psicologicamente pelos personagens. E não sei se já estamos anestesiados pelas catarses dos grandes filmes de Lars von Trier (Dançando no Escuro, Dogville) e ele até tenta um desfecho tão inesperado quanto inverossímil, mas para cinco horas e meia de filme no total, Ninfomaníaca nos faz pensar que a provocação e a polêmica são as únicas formas que von Trier tem encontrado para garantir bilheteria para seus últimos filmes. :- \

A única questão que o filme aborda sobre a qual vale a pena refletir é: se Joe fosse um homem, viciado em sexo ou apenas safado, mulherengo, e tomasse as mesmas decisões de vida da personagem no filme, o sofrimento seria o mesmo?

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