O píer de Naples é o coadjuvante perfeito para o belo pôr do sol que só existe na costa oeste da Flórida. Imagem: Shoichi Iwashita

Quando você quiser pesquisar sobre esta cidade rica e ensolarada da costa oeste da Flórida — conectada por uma estrada praticamente reta com o outro lado, onde está Miami e Fort Lauderdale, e que passa pelos parques Everglades-cheio-de-crocodilos e Big Cypress —, terá sempre de digitar no Google “Naples Florida” para não confundir o mecanismo de busca. Isso porque “Naples”, em inglês, quer dizer também Nápoles, a terra do Vesúvio e da melhor pizza da Itália.

E existe uma relação entre as duas “Naples”.

UMA CIDADE FUNDADA PARA OS RICOS DO CENTRO-SUL DOS ESTADOS UNIDOS

A casa de verão de um dos sócios-fundadores de Naples, a Palm Cottage, construída em 1895, é decorada ainda como nos anos 1900 e é um exemplo de construção com tabby mortar, um concreto feito com água, areia e conchas de ostras. Imagem: Shoichi Iwashita

Foram quase dois séculos de guerra entre os espanhóis, que chegaram por aqui em 1593, e os Calusa, índios que habitavam a região havia milhares de anos, mas que, assim como aconteceu em toda a América, foram dizimados.

Quando a cidade-empreendimento é fundada em 1886 pelo general confederado John Stuart Williams e seu sócio, o dono de jornais de Kentucky, Walter N. Hadelman, para ser um retiro de inverno dos ricos norte-americanos, a publicidade (nos jornais de Hadelman) era toda feita a partir das semelhanças com a “Napoli” ensolarada.

Apesar da total diferença entre as duas cidades (mas quem ia conhecer Nápoles naquela época?), o nome ficou. E a casa de Mr. Hadelman, a Palm Cottage (foto acima), construída em 1895 na 12th Avenue South e muito bem conservada, pode ser visitada.

DEZ MESES DE SOL POR ANO E AREIA BRANCA E FININHA

O Naples Beach Hotel, além de abrigar o Sunset Beach Bar, perfeito para assistir o pôr do sol, tem uma atmosfera autêntica da Flórida de outros tempos. Imagem: Shoichi Iwashita

A Naples Beach vista do píer: praia aconchegante, areia branca e fininha, e as águas limpas — e com golfinhos — do Golfo do México. E pode beber álcool desde que não esteja em recipiente de vidro. Imagem: Shoichi Iwashita

Mesmo com um inverno mais “molhado” entre junho e setembro e temperaturas que variam entre 12° C e 18° C, são mais de 300 dias ensolarados por ano em Naples — com temperaturas que chegam a 35° C no verão —, com belíssimos pores do sol (em Palm Beach, na outra costa, só dá pra ver o nascer) que podem ser vistos ou do icônico píer que está na praia de águas limpas do Golfo do México — com areia fina e branquinha do jeito que a gente gosta — ou do balcão do Sunset Beach Bar, o delicioso bar com acesso à areia do Naples Beach Hotel. E o melhor: as praias de Naples não são aquelas faixas de areia enormes e amplas e vazias — e nada aconchegantes — típicas de outras praias da Flórida.

Atenção: A não ser que você esteja na faixa de areia do seu hotel, não existem beach clubs ou serviço de praia nas praias públicas de Naples, mas a abundância de peixes, incluindo golfinhos livres que pulam não muito longe do raso enquanto você faz yoga na areia, compensam. E, aqui, bebidas alcoólicas estão liberadas desde que não estejam em recipientes de vidro; ou seja, cerveja em lata, pode. Mas, atenção II (sempre tem um “mas” nos Estados Unidos): pode beber álcool na areia, mas não no píer.

NAPLES, FLÓRIDA: ONDE SE HOSPEDAR

O Sunset Beach Bar do Naples Beach Hotel, parada obrigatória diária no fim da tarde se você estiver hospedado no hotel, que também recebe não-hóspedes. Imagem: Shoichi Iwashita

Na praia do hotel Ritz-Carlton, afastado de tudo em Naples, informações sobre os horários do Sol, as marés, a temperatura do dia. Imagem: Shoichi Iwashita

A áres dos elevadores do Ritz-Carlton de Naples: grandiosidade de séculos passados em um hotel construído nos anos 1980… na praia. Imagem: Shoichi Iwashita

Quanto à hospedagem, se o Naples Beach Hotel (diárias a partir de US$ 250) tem aquela atmosfera praiana, despretensiosa e típica da Flórida de outros tempos de que eu gosto bastante (linhas retas, muita grama e coqueiros, e móveis de casa de praia), o estilo do Ritz-Carlton (diárias a partir de US$ 550), o hotel mais sofisticado da costa oeste da Flórida, não poderia ser mais diferente. A 14 quilômetros do centrinho de Naples — longe —, ele foi construído na década de 1980 (mas com grandiosidade dos anos 1880, imitando talvez o The Breakers de Palm Beach) e tem no lobby uma vending machine de garrafinhas Moët & Chandon, tapetes orientais e boiseries em madeira escura no melhor estilo aristocrata inglês. Ou seja, não é bem um hotel que a gente espera ficar em um destino de praia, mas é o melhor hotel de Naples…

E, apesar de Naples ter apenas 20 mil habitantes, a cidade é bem espalhada e carro é fundamental para se locomover entre os pontos interessantes e também circular pela região, visitando outras praias e os parques estaduais.

20 MIL HABITANTES E CASAS DE US$ 30 MILHõES

As centenas de casas milionárias do bairro de Port Royal vistas da Baía de Naples no cruzeiro de duas horas do Naples Princess Cruises (leia mais sobre a experiência abaixo). Imagem: Shoichi Iwashita

Assim como Nantucket, Palm Beach e Summit Park (que inclui Park City), Naples é dessas cidades norte-americanas pequenas… mas poderosas, com uma das maiores concentrações de milionários — e campos de golfe — per capita dos Estados Unidos (apesar de o estado da Flórida estar longe na lista das maiores rendas per capita do país).

Imagine uma cidade pequena, com 20 mil habitantes (até Bertioga, no litoral de São Paulo, tem quase 50 mil). Agora, pense que centenas de casas de Cajuru (município do estado de São Paulo com pouco mais de 20 mil habitantes) custem entre US$ 5.000.000 e US$ 20.000.000 e uma dúzia delas cheguem a custar US$ 60.000.000. Junto com as casas, espere por uma profusão de Ferraris, Lamborghinis, Porsches, Bentleys etc. pelas ruas. Isso é Naples.

EXPLORANDO NAPLES DE BARCO E TRIKE (TRICICLOS ELÉTRICOS): PASSEIOS PARA TODAS AS IDADES

Assistir ao pôr do sol a partir do barco da Naples Princess Cruises não é tão charmoso quanto visto do píer (a experiência é um pouco pretensiosa; de chinelo ou descalço sentado na areia da praia é mais charmoso), mas vale pela observação das casas milionárias de Aqualane Shores e Port Royal — todas com seu próprio píer e que só podem ser vistas da água — que o tour proporciona. Isso porque o yacht de 105 pés com capacidade para 149 passageiros parte do pequeno porto de Naples e navega por toda a baía (a Naples Bay) antes de chegar ao Golfo do México pelo Estreito de Gordon, no horário do pôr do sol. O Sunset Sightseeing Cruise dura duas horas, o bilhete custa US$ 47,50 e você pode fazer sua reserva clicando aqui

Outra forma divertida de explorar a cidade é através do passeio guiado de trikes (triciclos motorizados elétricos) que sai de Tin City, o centro comercial com lojas e restaurantes com ares da antiga Flórida, que fica ao lado do porto (não deixe de comer King Crab e Crab Cake no Pincher’s). Esses triciclos são perfeitos para todas as idades, pois eles são fáceis de andar — por ter três rodas são mais seguros que as Segways —, e o condutor pode ir tanto em pé quanto sentado. Aí, é só ligar o botão turbo que aumenta a velocidade e se divertir ainda mais. O passeio é organizado pela Trike Tours, dura duas horas e vai de Tin City ao Naples Pier passando pelos principais pontos da cidade, incluindo a Gulf Shore Boulevard, a avenida paralela à praia onde está outro conjunto de mansões (na foto acima). Para reservar é só ligar para (239) 317-9558. Para mais informações, é só clicar aqui

E, clicando aqui, você confere nossas dicas de restaurantes e comidinhas na cidade. 😉

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