Do alto do planalto onde está o centrinho de Arraial d’Ajuda, o Maitei tem duas piscinas, ambas com vista para o mar. Mas essa do rooftop tem uma linda vista 360° para o Atlântico e a vegetação em volta. Imagem: Shoichi Iwashita

Um projeto arquitetônico de qualidade deveria ser o ponto de partida essencial de qualquer empreendimento hoteleiro. E, na rua mais famosa do centrinho da vila de Arraial d’Ajuda, a Mucugê, e do alto do planalto com belíssimas vistas para o Atlântico, assim é o Maitei: completamente integrado ao entorno (da rua, nem dá para imaginar o pequeno hotel com 17 quartos e duas piscinas distribuídos em vários níveis no terreno em declive); jardins repletos de helicônias, buganvílias e alpínias, representando a flora da Mata Atlântica; e projetado no detalhe (não deixe de observar as travas originais das janelas dos quartos desenhadas pelo arquiteto Luciano Soares e a linda balaustrada da escada da recepção, tudo em madeira maciça).

A entrada do Maitei na Mucugê, no cantinho mais calmo da rua mais famosa e agitada de Arraial d’Ajuda, com vegetação típica da Mata Atlântica. Imagem: Shoichi Iwashita

Passando pela porta de entrada, já é possível ver o restaurante e o mar. Imagem: Shoichi Iwashita

Estando no rooftop ( meu lugar preferido no hotel), é possível pegar o interfone e pedir drinques e comidas. Imagem: Shoichi Iwashita

EXPERIÊNCIAS QUE VÃO ALÉM DO HOTEL

O Maitei é a única opção de hospedagem elegante em Arraial d’Ajuda, primeiro santuário mariano do Brasil, fundado em 1549, e que geralmente serve apenas de passagem para viajantes com destino a Trancoso, Praia do Espelho e Caraíva. Mas que vale uma visita, pela proximidade do aeroporto de Porto Seguro (a apenas 10 quilômetros feitos em 50 minutos de carro por conta da balsa), seja para assistir a uma missa na singela mas quase quincentenaria Igreja Matriz da Nossa Senhora d’Ajuda, a virgem protetora das viagens de expedição (sem deixar de ir ao mirante atrás dela e caminhar pela charmosa Rua Bela Vista ao lado); visitar a praia da Pitinga com suas piscinas naturais na maré baixa e vista para as falésias (a oito minutos de carro do hotel); ou, então, aproveitar uma das experiências Maitei que levam a curadoria da proprietária Érika Sanches: andar de stand-up-paddle no lindo Buranhém (o rio que separa Porto Seguro de Arraial), fazer uma trilha off-road de quadriciclo ou mountain bike, ou ainda andar a cavalo na praia (Érika é uma amazona de primeira ). No meu caso, eu quis me consultar com o Pai Roni em seu terreiro em Coqueiro Alto — as religiões afro-brasileiras estão muito presentes na Bahia e na Costa do Descobrimento: são mais 160 terreiros de umbanda e candomblé apenas entre Porto Seguro e Trancoso. Uma experiência cultural, espiritual, musical, antropológica e… linda.

A praça em frente à Igreja Matriz de Nossa Senhora d’Ajuda, construída entre 1549 e 1551. Imagem: Shoichi Iwashita

A missa na Igreja Matriz de Nossa Senhora d’Ajuda. Imagem: Shoichi Iwashita

O charmoso Café da Santa na praça da igreja. Imagem: Shoichi Iwashita

No terreiro do Pai Roni em Coqueiro Alto, uma das experiências organizadas pelo concierge do Maitei. Imagem: Shoichi Iwashita

Chegando ao terreiro em Coqueiro Alto. Imagem: Shoichi Iwashita

CORUJÃO: A PRESENÇA EXCLUSIVA DO MAITEI NA PRAIA

O lounge de praia exclusivo para os hóspedes do hotel Maitei na barraca Corujão, na praia de Araçaípe, a 10 minutos de carro do hotel. Imagem: Shoichi Iwashita

Duas versões de moqueca: com peixes e frutos do mar, e a vegana, no Corujão. Imagem: Shoichi Iwashita

Como está no planalto que abriga o centrinho, o Maitei não é um hotel pé-na-areia (e a Mucugê, praia mais próxima, a cinco minutos a pé do hotel, é bastante cheia). Mas compensa a distância com um lounge elegante exclusivo para os hóspedes na Corujão, primeira barraca de praia em Arraial, fundada em 1982 na praia de Araçaípe (na época, uma praia naturista), a 10 minutos de carro ao norte do Maitei, com entrada pela própria Estrada da Balsa e aberta todos os dias das 10h às 19h. No cardápio com drinques e pratos bem feitos, não faltam opções plant-based como o ceviche de banana-da-terra e a moqueca vegana. Ao sair do hotel (até às 13h, depois desse horário, eles liberam o espaço), basta pedir para o concierge avisar a barraca com seu nome e a quantidade de pessoas, e eles estarão esperando. E se a sua viagem incluir um dia de lua cheia, não deixe de assistir ao ritual que os índios pataxós fazem por lá, em seu idioma nativo, o Pachorran.

Dos 17 quartos divididos em cinco categorias (entre duplos e triplos com vista-mar, vista parcial e sem vista, mas todos com banheira, varanda, rede, e o mesmo tamanho, 20 metros quadrados), o mais especial é o número 14: o único que tem não só um terraço como também uma banheira-com-janelão-e-vista-para-o-mar, que eu tive a sorte de conseguir, mas é impossível reservar (eles deixam esse quarto para hóspedes viajando em datas especiais; veja nas fotos abaixo). E, apesar de o enxoval ser bom, a luz é aquela fria, a TV e o frigobar são antigos (e pouquíssimos canais de TV funcionam, nem a Globo News eu consegui sintonizar), o blackout não veda 100% e os amenities ainda são todos em embalagens plásticas de uso único, que se juntam às garrafinhas de água descartáveis (pelo menos, a proprietária do hotel foi receptiva quando contei sobre os filtros de água que os hotéis, mesmo os pequenos, vêm usando para acabar com as milhares de garrafinhas que todos os anos viram lixo nos hotéis e, quem sabe, teremos novidades em um futuro próximo).

No quesito gastronomia, o destaque vai para o café da manhã — sucos saudáveis e muito bem feitos, iogurte da casa, nibs de cacau orgânico de produtor local, pratinhos feitos na hora e de forma rápida, o que é raro em muitos lugares — e os ingredientes orgânicos da Dona Jesuíta que passa todos os dias com seu carrinho de construção na frente do hotel para que o chef abasteça a cozinha. Mas nem sempre os pratos vêm na melhor textura (meu peixe, em um dia, e o macarrão ao pesto, no outro, vieram secos). O espresso também é um problema: ou vem aguado ou morno demais. E um café bom em um hotel como o Maitei faz toda a diferença; ainda mais na Bahia, que tem grãos excelentes em Piatã, na Chapada Diamantina, alguns dos melhores do Brasil.

Alguns quartos do Maitei tem entrada pela varanda, mas são considerados vista-mar. Imagem: Shoichi Iwashita

O meu quarto pronto pra dormir. Imagem: Shoichi Iwashita

Acordando e abrindo tudo para respirar essa vista. Imagem: Shoichi Iwashita

O banheiro do quarto número 14: o único que tem a banheira com essa vista. Eu que adoro hotéis que têm chuveiro ao ar livre, achei incrível tomar banho com as janelas abertas e essa vista. Imagem: Shoichi Iwashita

O café da manhã é o destaque do Maitei: tem tudo o que a gente gosta, do jeito que a gente gosta, com direito a surpresinhas diárias e rapidez no preparo dos pratos à la carte. Imagem: Shoichi Iwashita

No andar do spa, que tem uma sala com duas camas de massagem, um espaço para relaxar com vista para o mar e esse paisagismo lindo. Imagem: Shoichi Iwashita

Na academia, seria perfeito se os aparelhos fossem mais novos (são antigos e desconfortáveis de usar) e houvesse pesos livre mais pesados (o máximo é de 10 quilos). Imagem: Shoichi Iwashita

COMO CHEGAR À ARRAIAL D’AJUDA E AO MAITEI

São duas opções para ir de Porto Seguro a Arraial: pela balsa — 10 quilômetros e 50 minutos (sem fila) — ou pela estrada (367 e BA-001), em 1h15 dirigindo por 64 quilômetros a partir do aeroporto de Porto Seguro, que é sempre a melhor opção na alta temporada por conta das grandes filas de carros para a balsa. E de Arraial, vale sempre descer para explorar as outras praias — Trancoso, Praia do Espelho, Caraíva, Corumbau — dessa costa que é um dos destinos de verão mais charmosos do mundo.

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