Pelo preço fixo de R$ 79 (entrada + prato principal + sobremesa, no jantar e nos fins de semana; e R$ 49! no almoço durante a semana), o Jiquitaia se consolidou de forma muito bem sucedida com sua fórmula que alia comida autoral com ingredientes brasileiros — bem executada, bem apresentada (só nas sobremesas que o aspecto é mais caseiro, mas não menos saboroso); e ainda dá para ter uma refeição vegetariana completa ou, mais precisamente, ovolactovegetariana —, preço mais-que-honesto e ambiente simples e agradável (e fácil de encontrar, fica numa discreta casinha branca com letreiro — que mais lembra uma empresa de representação comercial — quase em frente ao Athenas, na Antônio Carlos, entre a Augusta e a Frei Caneca). Jiquitaia é nome de um mix  de pimentas da família do tabasco, em pó (fica na mesa, experimente! peça também a pimenta da casa), típica da floresta amazônica, patrimônio dos índios baniwa, que você encontra para comprar no Instituto Atá, em São Paulo {confira a matéria exclusiva dos boxes no Mercado de Pinheiros, clicando aqui}.

O restaurante é totalmente sem-frescura. Não tem couvert, não tem guardanapos de pano, não se trocam os talheres entre a entrada e o prato principal, as paredes internas são de tijolinhos e as mesas e cadeiras são simples (quase desconfortáveis para passar muito tempo). O restaurante tem três níveis: o da rua e o térreo abrigam o restaurante e, no primeiro andar fica o bar, onde você pode se servir de ótimos drinques e comidinhas, seja durante a espera por uma mesa ou para só ficar por lá mesmo.

Além da fórmula preço-fixo para três etapas quando você já escolhe todos os pratos no início da refeição, existe também a opção à la carte (mas só a entrada e o prato já dão o preço do menu), o que pode ser uma alternativa para escolher uma entrada extra no almoço, quando as porções são um pouco menores e, dependendo do dia, o menu pode não ser suficiente para saciar a fome, especialmente se você comer muito (eu odeio sair com fome de uma refeição, então, peço duas entradas e aproveito para fazer um mini-menu-degustação  :-).

Das criações do chef  paranaense Marcelo Corrêa que eu amo estão o cebiche muitíssimo bem temperado, deliciosamente ácido, que se equilibra muito bem com os sabores do gergelim preto, o dulçor e a textura da batata doce e o farto azeite; o peixe com purê de batata doce e arroz negro; o arroz de pato no tucupi e jambu com magret; e estou apaixonado recentemente pelo nhoque de mandioquinha com creme de queijo do reino, espinafre e cogumelo. Já me falaram muitíssimo bem da moqueca de peixe com camarão, mas esse eu não provei ainda.

(Nem preciso dizer que os R$ 49 cobrados pelo almoço durante a semana fazem do Jiquitaia uma opção de refeição incrível na região da Paulista, melhor que qualquer quilão.)

restaurante-jiquitaia-sao-paulo-consolacao-comida-brasileira-1200-3O tão brasileiro queijo coalho com legumes assados (quiabo, cenoura, rabanete) e cebola cozida no caju. Delicioso. Imagem: Shoichi Iwashita restaurante-jiquitaia-sao-paulo-consolacao-comida-brasileira-1200-4Amo esse nhoque de mandioquinha com creme de queijo do reino (o queijo que os portugueses começaram a fabricar no Brasil com inspiração no Edam holandês), espinafre e cogumelos. Imagem: Shoichi Iwashita restaurante-jiquitaia-sao-paulo-consolacao-comida-brasileira-1200-5De sobremesa, figo em compota com creme inglês. Simples e muito bem feito. Imagem: Shoichi Iwashita restaurante-jiquitaia-sao-paulo-consolacao-comida-brasileira-1200-6No Jiquitaia não tem café espresso, só coado (mas peça para eles colocarem um pouquinho mais de água; apesar de agora eles servirem na xícara grande, a quantidade que eles colocam não enche nem metade da xícara). Imagem: Shoichi Iwashita restaurante-jiquitaia-sao-paulo-consolacao-comida-brasileira-1200-2O salão no nível da rua, logo após a entrada. Imagem: Shoichi Iwashita restaurante-jiquitaia-sao-paulo-consolacao-comida-brasileira-1200-1O salão térreo, acessível por alguns degraus. Imagem: Shoichi Iwashita

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