De fora, não dá para imaginar os lindos jardins com plantas brasileiras, a fonte, a piscina, a jacuzzi… e a vista panorâmica que vai do casario do bairro até a ponte Rio-Niterói. Imagem: Shoichi Iwashita

Não sei se porque influenciado pela música, mas é em Ipanema onde eu sinto a alma carioca. E é, para mim, o bairro para se hospedar no Rio de Janeiro (além da praia linda e da oferta de cafés, lojas, livrarias e restaurantes, tem um pouco a ver também com a escala da avenida, do calçadão, da faixa de areia: acho tudo em Copacabana vasto demais).

Mas existem dois outros bairros — fora do circuito praieiro — que moram no meu coração. O primeiro é a Urca, um bairro residencial. O segundo é Santa Teresa, um dos mais charmosos destinos do Rio de Janeiro, que deve ser vivido pelo menos uma vez na vida ou revisitado de tempos em tempos. E não é só por conta do bondinho.

Tem a proximidade com o centro histórico desta cidade que foi a capital de um império europeu; o passado aristocrático dos casarões que vão do século 19 à década de 1950; a atmosfera artística e ao mesmo tempo quase decadente deste bairro-no-topo-da-colina com belas vistas para a Guanabara, que é praticamente um pedaço da França na Cidade Maravilhosa (são muitos os franceses que têm empreendimentos aqui); e ainda suas ruas sinuosas de paralelepípedo, o restaurante Aprazível, e o hotel e restaurante que são temas desta matéria, e desta aqui também.

O bonde de Santa Teresa que sai do centro do Rio, passa por cima dos Arcos da Lapa (é demais) e sobe o morro. Aqui, no Largo dos Guimarães, em frente ao Cine Santa Teresa, a poucos metros do hotel MGallery Santa Teresa. Imagem: Shoichi Iwashita

HOTEL SANTA TERESA, O PRIMEIRO MGALLERY DO BRASIL

O reflexo da piscina e a varanda com um bar-lounge: camarote perfeito para assistir ao lindo pôr do Sol. Imagem: Shoichi Iwashita

O quarto espaçoso (esse é o Superior Room, o menor do hotel, com 25 metros quadrados) com janelas e vista para o jardim, sem terraço e sem banheira. Veja todas as fotos comentadas no fim da matéria. Imagem: Shoichi Iwashita

A oito minutos do Aeroporto Santos Dumont, a 150 metros do Largo dos Guimarães (o coração do bairro) e com duas entradas — uma pela Avenida Almirante Alexandrino e outra pela Rua Felício dos Santos —, o hotel Santa Teresa foi inteiramente remodelado e reaberto em 2008 (já era um hotel antes, mas um hotel-moradia) pelo empresário francês François Delort. Em 2016, foi comprado pela gigante francesa da hotelaria Accor e se tornou o primeiro a levar o selo de hotéis-boutique MGallery no Brasil, segundo da América do Sul (hoje, são três: Rio, Buenos Aires e Lima).

E o agora hotel MGallery Santa Teresa é dessas felizes combinações entre empreendimento e local em que está inserido {o mesmo que escrevi sobre o Uxua em Trancoso e o Mandarin Oriental em Nova York}, oferecendo não só aquele “senso de lugar” e autenticidade que a gente tanto procura quando viaja — e cada vez menos encontra, mesmo em hotéis caros —, mas também trazendo valor para o bairro. Isto é, não tem como visitar Santa Teresa e não passar por ele, seja para tomar um drinque no fim da tarde, usar a piscina pelo sistema de day-use (por R$ 230, mediante lotação) ou almoçar-jantar no restaurante do hotel.

Isso porque, instalada em uma antiga fazenda de café dos anos 1850 e repleta de jardins com plantas nativas (aves e macaquinhos são visitas frequentes), os 44 quartos e suítes ocupam casarões antigos, com muitas janelas e ferragens originais; o Bar dos Descasados, por exemplo, está onde era a antiga senzala. A decoração combina o uso de cimento queimado, madeiras de demolição, aço, ardósia, fibras (bananeira, bacaba, buriti, coco), móveis de designers brasileiros — Sergio Rodrigues partout — e ainda conta com muitas peças de artistas locais.

Aqui, o conceito de “localidade” é levado a sério: as PANCs (plantas alimentícias não convencionais) utilizadas no cardápio do restaurante Terèze vêm da Organicidade, uma horta a dois minutos do hotel; a cachaça Magnífica tem sede em Santa Teresa; e grande parte dos vidros e cerâmicas utilizados no serviço são do Zemog, designer com ateliê no bairro (só não gostei mesmo de ter tomado café Nespresso no café da manhã, com tanto café especial brasileiro por aí…). Tem ainda os vários passeios que o hotel oferece aos hóspedes para explorar o entorno: visitas a ateliers de artistas e designers, caminhadas guiadas para conhecer a história e apreciar a arquitetura de Santa Teresa, trilhas pela Floresta da Tijuca… Eles têm até uma parceria com o bondinho, sendo possível contratar o meio de transporte mais charmoso do Rio para fazer uma viagem privativa entre o centro da cidade e o hotel, em frente do qual passam os trilhos.

Nos quartos espaçosos —o menor com 25 metros quadrados —, o clima é de simplicidade rústica, com madeira de demolição em quase todo o mobiliário e ardósia nos banheiros. E nas cinco categorias de quarto há banheiros com e sem banheira: se você faz questão, é preciso comunicar o hotel na hora da reserva. O único problema são os aparelhos de TVs bem pequenos, não proporcionais ao tamanho do quarto. Da cama, a telinha fica lá longe

Mas aí, o MGallery Santa Teresa compensa com a bela piscina, anexa ao jardim e o bar-lounge com vista para o bairro, o centro do Rio e a Baía de Guanabara, de onde você assiste a um belíssimo pôr do sol (as espreguiçadeiras, no entanto, são difíceis: elas são rígidas e não tem como deixá-las retas para deitar de bruços, só servem para sentar), e, principalmente, com a gastronomia do Térèze, que serve um café da manhã muito bem apresentado e repleto de sabores brasileiros, e almoços e jantares — e sobremesas — que vão fazer você pensar duas vezes antes de sair para comer fora do hotel.

QUANTO CUSTA E ONDE FICA O MGALLERY SANTA TERESA?

Calcule a partir de R$ 1.300 por noite para duas pessoas com taxas e café da manhã no hotel MGallery Santa Teresa, que fica na Rua Almirante Alexandrino, 660, no coração do bairro de Santa Teresa. O telefone é 55 21 / 3958-9250.

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Um dos destaques do MGallery é definitivamente a gastronomia do Térèze, comandado pelo chef uruguaio Esteban Mateu, que dá prioridade para produtos locais. Na foto,  pescado do dia, com purée de couve-flor, legumes e tinta de lula. Impecável. Imagem: Shoichi Iwashita

Outra característica forte é a utilização de ingredientes brasileiros. De sobremesa, cremoso de cacau, creme de cupuaçu e aerado de avelã. Imagem: Shoichi Iwashita

A piscina do hotel, rodeada por belos jardins, com espreguiçadeiras que não ficam 180 graus. Imagem: Shoichi Iwashita

Além da piscina, tem também uma jacuzzi aquecida, serviço de bar… Imagem: Shoichi Iwashita

… e vista panorâmica para o bairro e a Baía de Guanabara. Imagem: Shoichi Iwashita

O pôr do Sol da piscina. Imagem: Shoichi Iwashita

Vista para o casario de Santa Teresa, o centro do Rio e o horizonte. Imagem: Shoichi Iwashita

No lobby do hotel, muitos móveis de designers brasileiros — como as duas poltronas Diz de Sergio Rodrigues — e obras de artistas locais. Imagem: Shoichi Iwashita

Entrada no restaurante Térèze, que fica abaixo do nível da piscina e acima do nível da rua de trás do hotel, a Felício dos Santos, que conta com uma entrada para o restaurante. Imagem: Shoichi Iwashita

No Térèze, eu amo esses janelões que se abrem para a vista. Imagem: Shoichi Iwashita

Uma das melhores sobremesas dos últimos tempos: bolo de aipim, doce de leite, cumaru e sorbet de maracujá; Brasil puro. Imagem: Shoichi Iwashita

No quarto, cama enorme, bom enxoval, só que esse móvel impedia tirar o edredon debaixo do colchão (não gosto de dormir com o edredon preso) e as garrafas de água acordaram no chão por conta da movimentação do edredon durante a noite. Faltam também tomadas para carregar os celulares próximas da cama. Imagem: Shoichi Iwashita

Mais Sergio Rodrigues no quarto: agora, com as cadeiras Oscar (à equerda) e a Lucio. Os quartos também contam com máquina de espresso. Só a TV é pequena demais, parece um monitor de computador. Imagem: Shoichi Iwashita

No banheiro, revestimento de ardósia. Imagem: Shoichi Iwashita

Além da piscina, tem também uma jacuzzi aquecida, serviço de bar… Imagem: Shoichi Iwashita

O café da manhã é servido no Térèze, tem buffet e opções à la carte. Imagem: Shoichi Iwashita

Com vários itens brasileiros: rapadura, goiabada, queijo Serra da Canastra lá de Minas… Imagem: Shoichi Iwashita

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