Passeando pela Lagoa, a pé ou de carro, ninguém  pode imaginar que por trás das paredes de uma discreta casa em estilo normando existem 50 séculos de arte, com mais de 2 mil peças, incluindo obras de Botticelli, Ghiberti, Rembrandt, Gainsborough, Reynolds, Pissarro. Eva Klabin, junto com sua irmã Ema (descendentes de lituanos de ascendência judaica), é a nossa Frick-Morgan dos trópicos. Colecionadora das clássicas, juntou obras que vão do Egito antigo e do mundo greco-romano a Lasar Segall, passando por importantes exemplares da arte renascentista. É impressionante. (Sem falar que Eva já usava Goyard bem antes de a marca ter seu revival  no século 21: é numa caixa de chapéu para viagens da maison  que ficam os protetores para sapatos que devemos calçar para andar pela casa-museu ;-).

Destaque para a coleção de prataria judaica (única no Brasil) e inglesa, a moldura de lareira gótica da sala e a boiserie (também gótica) na sala de jantar trazida da França.

Milionária e esteta, Mme. Klabin dormia durante o dia e recebia muitos amigos e personalidades em sua casa – sempre depois da meia-noite: do amigo e paisagista Roberto Burle Marx, que planejou o charmoso jardim da casa, a ilustres como Juscelino Kubitscheck, Shimon Peres, David Rockefeller e Henry Kissinger, ex-secretário de Estado americano que queria conhecer a coleção e teve seu pedido aceito desde que viesse às 3h da manhã. A casa, mesmo com o Sol gritando lá fora, é escura e mantida assim até hoje em respeito à memória de Eva.

E tudo foi mantido do mesmo jeito. Não há placas com nomes das obras ou iluminação especial, e dá pra imaginar como a casa era habitada pela dona (até o guarda-roupa com seus Dior foi mantido).

Para visitar a Fundação Eva Klabin, é preciso ligar e agendar uma visita. E não se sinta intimidado quando tocar a campainha e o segurança destravar 48 fechaduras do portão para que você possa entrar. Depois de visitar a coleção você entenderá por quê.

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