A história tinha tudo para ser contada de uma maneira piegas e beira o fantástico: o amor entre um boxeador bonitão – e garanhão – desempregado que se envolve em negócios escusos com uma treinadora de orcas que perde as pernas em seu trabalho num acidente. Mas, as cenas são lindas (inclusive as cenas cheias de violência e as cheias de amor), intensas e repletas de nuances; o filme é contado de uma maneira real, humana e delicada; Marion Cotillard e Matthias Schoenaerts se consolidam como dois gigantes do cinema francês (apesar de Schoenaerts ser belga); o que faz de Ferrugem e Osso (De Rouille et d’Os ) um grande filme; mais um para a cinematografia do diretor Jacques Audiard.

A história de Alain (Schoenaerts) e Stéphanie (Cotillard) se desenvolve através de encontros/momentos de dor e só se torna possível graças a ela. E, apesar de durão, Ali – como é chamado pelo filho – é um homem generoso e amoroso, responsável por inúmeros momentos de sensibilidade e delicadeza.

Filmaço.

São Paulo, 11 de agosto de 2013.