Uma das maiores capitais do Brasil (que atrai hoje viajantes do mundo todo por conta de Inhotim), Belo Horizonte sofria com a falta de bons hotéis. {Veja todas as nossas fotos ao final da matéria.}

O histórico Ourominas — hoje, afastado dos lugares mais legais da cidade — está datado, e a oferta de quartos estava restrita aos hotéis corporativos do bairro Savassi, esses de rede sem qualquer charme ou identidade.

Mas, inaugurado em outubro de 2018, o Fasano Belo Horizonte se tornou não só o endereço oficial de brasileiros e estrangeiros quando na capital das Minas Gerais, mas com o Lobby Bar, o Baretto e o Gero importados de São Paulo (o primeiro Gero dentro de um hotel), já é também frequentado pela jeunesse dorée mineira, aquela com nome-e-sobrenome-filha-de-não-sei-quem (uma característica marcante da sociedade daqui).

O que é o grande êxito de um hotel: quando ele cria vida ao conseguir ser relevante não só para os viajantes como também para os locais, criando um movimento e um mix sempre interessante de pessoas.

Interessantemente na rua São Paulo (cidade onde a família Fasano construiu sua história), em Lourdes, o bairro que são os Jardins belo-horizontinos, a localização não poderia ser melhor. É aqui que ficam as lojas, os restaurantes, os bares, os clubes e algumas das residências mais sofisticadas (dá para fazer tudo a pé), e o metro quadrado mais caro da capital mineira. E está vizinho ao centro e à Savassi, com seus museus, edifícios icônicos (como o JK de Oscar Niemeyer, onde fica a incrível loja de móveis modernistas brasileiros, a Pé Palito), e bares e botecos.

O ESTILO FASANO, AGORA COM UM TOQUE MINEIRO

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A entrada discreta na rua São Paulo: uma rampa que leva à porta no canto da parede vazada de tijolos, sob o pequeno edifício revestido com placas escuras de alumínio. Imagem: Divulgação

Assim como todos outros hotéis da rede, o Fasano Belo Horizonte — com doze andares, apesar de parecer menor, já que o “térreo” fica no terceiro andar, a academia no segundo (que está subterrâneo) e o primeiro andar de quartos, no quarto — foi construído do zero, com a recepção sempre escondida (nos Fasano, nunca se tem a sensação de estar entrando em um hotel), dessa vez em projeto assinado pelo escritório Bernades Arquitetura, o mesmo que desenhou o Fasano Angra dos Reis, inaugurado também em 2018.

E toda a herança “estilística” Fasano está presente: as jabuticabeiras e os tijolos à la Gero do arquiteto Aurélio Martinez Flores dos anos 1990; a madeira cumaru, o mármore travertino bruto e as luminárias design do hotel Fasano São Paulo de Márcio Kogan e Isay Weinfeld dos anos 2000; a piscina no rooftop como no Fasano Rio (sem a mesma beleza da vista, no entanto); os couros, as fibras naturais, os acabamentos e o projeto de marcenaria impecáveis… Só que vai além, agora com o edifício principal revestido de placas escuras de alumínio, fazendo uma interessante contraposição com os outros materiais e se destacando entre os muitos (e mais altos) edifícios residenciais ao redor.

As riquezas mineiras tampouco foram esquecidas. Objetos de artesãos confeccionados em pedra sabão e cerâmica de cidades como Tiradentes e Ouro Preto decoram as áreas públicas e privadas do hotel; uma carta de cachaças locais está disponível no bar e no Gero (não deixe de provar a cachaça mineira 44 da Gouveia Brasil, que ganhou em 2018 o concurso de destilados mais respeitado do mundo, o Spirits Selection, competindo com outros 1300 destilados de mais de 50 países; e é realmente deliciosa, eu tomaria até no lugar do uísque); e o café da manhã, que acontece elegantemente na antessala com teto de vidro do Gero, conta com diversos exemplares de queijos desse estado cuja história se fez em cima da indústria do leite.

PISCINA MUITO PEQUENA E BARETTO BH MINIMALISTA DEMAIS

Apesar dos quartos lindos e espaçosos — são 77 quartos divididos em sete categorias, o menor com 27 metros quadrados, e o maior, a suíte Penthouse, com 110 metros quadrados e direito a não só uma piscina no terraço mas também um elevador privativo — e dos espaços no térreo, repletos de luz natural, aconchegantes e que convidam à conversa (um dos trunfos de todos os Fasano), não espere o mesmo da piscina e do Baretto Belo Horizonte.

O último andar (que abriga o spa, a sauna a vapor, o deque e a piscina) tem um problema: a área aberta é muito pequena. Além da falta de vista — o Fasano Belo Horizonte está rodeado de altos prédios residenciais, o que prejudica também a privacidade —, na área do deque só cabem oito pessoas. E sendo um hotel com capacidade para 150 hóspedes, eu fico imaginando como deve ser um fim de semana ensolarado em que várias pessoas decidam, ao mesmo tempo, curtir a piscina (que também tem um probleminha: talvez por conta da vegetação em volta, a água tinha tantos resíduos que eu não tive vontade de entrar).

O Baretto, que está dentro de uma caixa de madeira suspensa (visível de fora do hotel) sobre o restaurante Gero e acessível por uma escada a partir do lobby, tampouco tem a mesma atmosfera do Baretto São Paulo ou do Londra, o bar do hotel Fasano Rio. Talvez porque seu projeto seja minimalista demais.

RESERVAS:

{Faça a sua reserva para o Fasano Belo Horizonte, clicando aqui}
Diárias no quarto Superior, com 27 metros quadrados, a partir de R$ 880, sem café da manhã.

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Assim como o hotel Fasano de São Paulo, não se vê a recepção a partir da entrada do hotel, mas sim o lobby com móveis confortáveis e que convidam à conversa e um bar ao fundo, que serve de coquetéis a espresso. Imagem: Shoichi Iwashita

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Por trás dessa sequência de painéis de madeira fica o corredor que leva da porta de entrada à recepção. Perfeito para quem não quer ser visto. Imagem: Shoichi Iwashita

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Os quartos são espaçosos e possuem as melhores matérias-primas. Imagem: Shoichi Iwashita

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Outro ângulo do quarto que fica no quarto andar, o primeiro andar de quartos, já que o térreo fica no nível três. Imagem: Shoichi Iwashita

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Apenas as suítes possuem banheiras no Fasano Belo Horizonte. Mas os banheiros são todos de mármore e possuem objetos artesanais confeccionados em pedra sabão, um trabalho típico das Minas Gerais. Imagem: Shoichi Iwashita

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Os quartos que não possuem vista, têm varanda. Imagem: Shoichi Iwashita

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Ambiente do restaurante: o primeiro Gero do Brasil (tem em São Paulo, Rio e Brasília) instalado dentro de um hotel. Imagem: Shoichi Iwashita

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O famoso e autêntico tiramisù  do chef  Luca Gozzani, responsável pela cozinha do restaurante-matriz em São Paulo, custa quase a metade do preço em Belo Horizonte: R$ 32 contra R$ 58. Imagem: Shoichi Iwashita

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O deque pequeno — e com apenas oito chaises — no topo do hotel, que divide espaço com a sauna a vapor e as três salas de tratamento do spa. Imagem: Shoichi Iwashita

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A pequena piscina que não possui uma água muito convidativa por conta da grande quantidade de resíduos do paisagismo. Imagem: Shoichi Iwashita

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O Baretto em versão mineira. Imagem: Shoichi Iwashita

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A cama pronta para dormir e com seis travesseiros. Imagem: Shoichi Iwashita

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Linda a iluminação noturna do banheiro com a iluminação embaixo da pia. Imagem: Shoichi Iwashita

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Pães feitos na casa, queijos mineiros, bolos, frutas frescas, cereais e opções à la carte compõem o café da manhã do Fasano Belo Horizonte. Imagem: Shoichi Iwashita

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Ocupando a antessala do Gero, as mesas, intercaladas com jabuticabeiras, são sempre elegantemente montadas. Imagem: Shoichi Iwashita

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A escada no lobby que dá acesso ao Baretto. Atrás no vidro, a área para fumantes. Imagem: Shoichi Iwashita

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