O mais legal da cerimônia de anúncio ontem (28 de janeiro) foi ver que, se não fosse a mobilização dos ativistas do Movimento Cine Belas Artes, o cinema teria sido apenas mais um espaço emblemático da cidade fechado para dar lugar a uma igreja ou a uma loja (bem mais lucrativos que um cinema que se dedica a filmes não blockbusters). A galera incomodou BASTANTE todos os atores do processo durante esse tempo, promovendo a abertura do processo de tombamento, CPI, audiências, abaixo-assinados. Mas, depois de três anos (fechou em março de 2011), o Cine Caixa Belas Artes reabre em maio. Além da parceria com o Riviera (o Sturm já está conversando com o Facundo), o cinema vai ter ingressos 20% mais baratos que os cinemas da Paulista (pipoca e doces também mais baratos), meia entrada para todos os trabalhadores às segundas-feiras, acesso das escolas públicas ao cinema (com custos de transporte e alimentação garantidos pelo programador), além de ter uma sala só dedicada aos filmes brasileiros, que têm conseguido financiamento para produção mas não têm onde exibir os filmes, olha só. E voltam os “noitões”, com exibição de filmes durante toda a madrugada nos fins de semana com direito a café da manhã no final. No mais, os “valores de fundação” do Cine Ritz (primeiro nome do Belas Artes), aberto em 1943, seguem os mesmos: “Espetáculo, polêmica e cultura”, cinema que provoca debate e reflexão. Tem como não amar?

São Paulo, 29 de janeiro de 2014.