As primeiras famílias espanholas chegaram à região do Rio da Prata em 1536 (antes, o território era habitado por índios nada amigáveis; os primeiros navegadores que chegaram lá foram assassinados e comidos!), onde ficaram pouco tempo, graças à falta de alimentos e aos índios hostis. Buenos Aires só seria fundada em 1580, mas permaneceu esquecida pelos espanhóis por mais de 200 anos por causa da escassez de metais preciosos na região.

Quando a região descobre seu potencial econômico — as imensas estâncias para a criação de gado nos Pampas e o porto de Buenos Aires entra na rota do comércio internacional —, a Espanha decide criar o Vice-Reino do Rio da Prata e declara, em 1776, Buenos Aires como sua capital (tirando os argentinos debaixo do comando do Vice-Reino Peru, seus arquirrivais).

Carlota Joaquina, esposa do rei português Dom João VI, era princesa espanhola. Quando Napoleão Bonaparte invade a Espanha (antes de chegar à Portugal, quando a família real portuguesa foge de mala e cuia para o Brasil) e prende seu irmão, o Rei da Espanha Dom Fernando VII, a ambiciosa rainha-consorte do reino unido de Portugal, Brasil e Algarves até tenta assumir o trono espanhol para ter para si o Vice-Reino do Rio da Prata, que compreendia os territórios onde estão hoje a Argentina, o Paraguai, o Uruguai e a Bolívia (chegou a cogitar — junto com os ingleses — a ideia de transformar Buenos Aires em capital do Império Espanhol para reinar sobre tudo). Mas não era mais possível conter as ideias republicanas na região (e os espanhóis não gostaram NADA da ideia). Em 1810 começam os movimentos de ruptura, com a revolução de 25 de maio de 1810, e em 9 de julho de 1816, o Vice-Reinado conquista sua independência. A independência do Brasil só viria anos mais tarde, de um jeito bem diferente, em 1822.

A independência gera disputa entre grupos com interesses diferentes (os-fazendeiros-do-interior-federalistas vs. os-urbanos-cosmopolitas-unitaristas), fazendo brotar uma Guerra Civil que se estendeu por muitos anos.

Em 1853, os unitaristas conquistam o poder, criam uma Constituição, e a região vive uma grande prosperidade econômica, atraindo imigrantes europeus. Mas, a economia argentina, dependendo muito dos investimentos estrangeiros, passa por grandes dificuldades nas primeiras décadas do século 20, que acabam por enfraquecer a democracia. A partir daí, a Argentina passa alternadamente por golpes de estado, governos militares, governos democráticos (altamente frágeis), guerrilhas, prosperidade mas também grandes crises econômicas.

Em 1983, a democracia volta a reinar na Argentina, e aí vem Alfonsín, Menem, de la Rúa, Duhalde e finalmente Señor e Señora Kirchner. Uns conseguiram trazer a prosperidade de volta. Outros, não. E os argentinos nunca ficam calados.