É como voltar no tempo. Um boteco num tranquilo largo da Vila Mariana, com ruas de paralelepípedo, ao lado do reservatório de água do bairro construído nos anos 1910 (em processo de tombamento), luz amarelada, pertinho da agitada Rua Vergueiro, que só perde a tranquilidade quando o Bar Veloso abre e começa a aglomeração. Gente que lota o bar, gente que bebe de pé na área demarcada na calçada (servida pelos garçons), gente na calçada da rua Conceição Veloso que espera uma hora por uma mesa ou um lugar no balcão. O nome do bar inaugurado em 2005 e que já é um clássico da cidade não tem nada a ver com o nome da rua — uma coincidência —, mas sim em sua inspiração: o Bar Veloso, da Ipanema dos anos 1960, frequentado por Tom Jobim e Vinicius de Moraes (no Leblon tem também um bar com mesmo nome que homenageia o mesmo Veloso).

Por isso, chegue cedo (o bar fecha cedo por estar numa região residencial), sem pressa, porque a espera vale a pena. As mais de quinze receitas de caipirinhas, servidas em copos altos, são excepcionais. Todos os ingredientes se equilibram em precisas medidas, de acordo com cada fruta, cada ingrediente, com cachaça, com vodca, com sake e até com uísque. Prove todas que conseguir: tangerina com pimenta dedo-de-moça (ou com siriguela, na época da fruta), caju com limão, a da Naná (mais adocicada, com romã e morango) e a de maracujá, limão-rosa, gengibre, hortelã e cachaça. Para acompanhar, coxinha, ou melhor, A coxinha: crocante, leve, cremosa (leva catupiry), e acompanhada de um muito bem-vindo molhinho de pimenta. E são muitas outras opções de deliciosas comidinhas: do creme de mandioquinha com camarão ao bolinho de arroz com calabresa, passando pelos “sandubas de boteco”, peça sem medo.

São duas unidades vizinhas: o Veloso e o Armazém Veloso. Enquanto o Veloso, que é menor (mas super charmoso), é melhor pra galera jovem que quer beber e comer em pé (são apenas 14 mesas pequenas) BEM próximas umas às outras, o Armazém Veloso é mais confortável, com dois andares e capacidade para até 180 pessoas sentadas e um balcão para seis pessoas, onde eu gosto de me sentar (mas se eu pudesse escolher, só me sentaria no Veloso da esquina; o ambiente é bem mais charmoso). O cardápio é o mesmo em ambas as casas.

E se você olhar para o letreiro luminoso do Armazém Veloso verá escrito junto ao nome “Coxinha & Caipirinha”, mas já faço aqui uma campanha para incluir “Churros” em seu posicionamento. O churros possuem a grossura ideal (nem muito grosso nem muito fino; não gosto dos churros de alguns restaurantes que são finíssimos e parecem palitos), que permite uma massa cremosa em seu interior e ainda acompanha dois potinhos: um de doce de leite e um de nutella.

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Capirinhas e coxinhas. Imagem: Shoichi Iwashita
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Os churros, impecáveis. Imagem: Shoichi Iwashita