Para o viajante acostumado com o melhor, é quase sempre um desafio explorar algumas das paisagens naturais mais exuberantes do mundo, seja pela dificuldade de acesso, pela falta de fornecedores confiáveis (principalmente no quesito segurança), ou ainda, pela quantidade de turistas disputando espaço para selfies, o que sempre tira um pouco da beleza da paisagem.

E, quando o assunto são as Cataratas do Iguaçu (ou Iguazu, em espanhol, já que estaremos do lado argentino do parque nacional), o mais espetacular conjunto de cataratas da Terra, é impossível pensar em forma mais perfeita de viver o destino — muito além das quedas d’água, preciso dizer — depois de se hospedar no Awasi Iguazú, um Relais & Château no meio da selva, da Mata Atlântica em seu estado original (restam apenas 5% desse bioma; todo o resto foi destruído por nós). {Veja todas as fotos ao fim da matéria.}

Diferente do Belmond Hotel das Cataratas, que fica dentro do lado brasileiro do parque, permitindo que o hóspede tenha livre acesso às cataratas fora do horário de visitação (e com quase 200 quartos), o recém-inaugurado Awasi Iguazu fica na Argentina, a apenas 20 minutos do Parque Nacional Iguazu (e já preciso confessar aqui que o lado argentino é mais bonito e bem mais emocionante que o lado brasileiro), e possui níveis de serviço, gastronomia e exclusividade que impressionam.

Tudo no Awasi foi pensado para que você não sinta o mínimo empecilho para qualquer atividade, seja um passeio pela mata nativa que termina com um almoço preparado pelo chef  do hotel à beira do rio Paraná; um tour  de barco pelos rio Iguaçu que te leva para cachoeiras menores e de difícil acesso e à tríplice fronteira (a divisa entre o Brasil, o Paraguai e a Argentina); uma pequena viagem às ruínas jesuíticas do século 18 de San Ignacio ou a comunidades de índios guaranis (Misiones é a única região da Argentina onde eles existem); e, claro, a visita às Cataratas do Iguazu no melhor horário.

Porque apenas um hotel pequeno consegue esse nível de atenção ao hóspede: com 13 espaçosas villas  (todas com 100 metros quadrados, uma pequena piscina e deck) e uma master  com piscina maior com capacidade para quatro pessoas, cada villa  possui um guia e uma caminhonete 4 x 4 exclusivos, disponíveis o dia todo, durante a estadia (os guias planejam tudo com você sempre considerando a previsão do tempo, os horários mais confortáveis e a sua disposição, e eles têm todas as informações na ponta da língua)…

E, uma vez hóspede do Awasi, você não se preocupa com mais nada. Além do sistema de pensão completa — com café da manhã, almoço e jantar (alguns vinhos inclusos); tudo feito na casa, com ingredientes orgânicos comprados de produtores locais (e eles nem informam isso nos cardápios, por já ser parte da filosofia da rede) —, todos os passeios, que incluem diferentes tipos de barco, alimentação, carro, combustível, ingressos, protetor solar, repelente, capa de chuva (os guias têm tudo sempre à mão, é impressionante), estão inclusos no valor das diárias, o que, obviamente, faz com que o hotel tenha um preço bem superior a qualquer outra hospedagem na região.

A hospedagem de três noites e quatro dias para duas pessoas em uma villa sai por R$ 37.000: US$ 7.200 pela hospedagem all-inclusive + US$ 756 dos 10,5% de impostos caso você não more na Argentina (se morar, o VAT sobe para 21%) pagando com cartão de crédito internacional ou moeda estrangeira + US$ 505 dos 6,38% de IOF do cartão de crédito x R$ 4,40 do dólar-turismo ou cobrado pelos cartões de crédito em setembro de 2018). Ou seja, o Awasi Iguazu não é daqueles hotéis para fazer nada o dia todo, apesar de convidar para o ócio… Dá aquela sensação de que é preciso usar a estrutura pela qual se está pagando.

ATUALIZAÇÃO: Mas acabei de saber que para hospedagens até o dia 20 de dezembro de 2018, o Awasi está com um preço especial para brasileiros, e em real! Calcule R$ 12.000 para estadias de duas noites e três dias para duas pessoas e R$ 17.900 para três noites e quatro dias (com tudo incluso, incluindo o IVA e o IOF). 

Quanto aos passeios, porém, é preciso avisar que, tirando as cataratas, você não encontrará grandes paisagens. Os rios Iguaçu e Paraná são de águas escuras, rodeados por terra vermelha, vegetação e pequenas e simples cidades de fronteira. {Para assistir aos stories  da minha estadia no Awasi, é só entrar no perfil @iwashitashoichi do Instagram, clicando aqui, e procurar por Iguazú, Awasi nos destaques do perfil.}

O MELHOR JEITO DE CHEGAR AO AWASI IGUAZÚ: VOAR PARA A ARGENTINA OU PELO BRASIL?

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O deque suspenso da casa principal, na altura da copa das árvores, com espaço para relaxar, comer e beber. Imagem: Shoichi Iwashita

Apesar de estar na Argentina, o jeito mais fácil de se chegar ao Awasi Iguazú é voando para Foz do Iguaçu, o que é perfeito: há voos diretos de várias cidades brasileiras e, de São Paulo, são apenas uma hora e quarenta minutos de voo (isso quando o voo não atrasa porque o aeroporto de Foz do Iguaçu, que opera apenas por instrumentos, está fechado por conta do tempo; o que é bastante comum na região).

Chegando ao aeroporto de Foz, o seu guia já estará esperando com a sua caminhonete e é ele quem vai fazer todos os trâmites nas fronteiras brasileira e argentina — o melhor, pegando filas menores por conta das autorizações turísticas —, e em 40 minutos, você estará no Awasi.

Atenção: como as filas são maiores à tarde e os voos podem atrasar por conta das condições do aeroporto, sempre programe seu voo para a manhã; quanto mais cedo, melhor. 

GASTRONOMIA DE EXCEÇÃO NO AWASI IGUAZÚ

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Um dos pratos do menu-degustação que fizemos na última noite: ingredientes, sabores e apresentação incríveis. Imagem: Shoichi Iwashita

Uma das coisas que mais me impressionou no Awasi Iguazú foi a qualidade da comida (eu comi melhor aqui, num Relais & Châteaux situado no meio da mata do terceiro mundo, do que em alguns hotéis da mesma associação na França, berço da gastronomia). Era simplesmente impossível pensar em ter alguma refeição fora do hotel. Ingredientes orgânicos, locais e sazonais, impecavelmente apresentados, em receitas típicas latino-americanas. E deliciosas. O menu-degustação, um dos nossos jantares, foi impecável, e o hotel atende perfeitamente viajantes vegetarianos e veganos. Tem como não amar? Em todas as refeições existe uma pequena seleção de vinhos locais (argentinos) para harmonizar com os pratos, inclusos no sistema de pensão completa. Para outros rótulos da carta, paga-se à parte.

{Para acessar o site do Awasi Iguazú e fazer a sua reserva, clique aqui.}

LEIA TAMBÉM:

— The Brando, Taiti e suas ilhas: Sem bangalôs sobre águas e piscinas infinitas, um dos melhores e mais caros hotéis do mundo é zero-ostentação

— Uxua: O hotel invisível por fora, sem portas e sem chaves, que é uma das experiências mais autênticas de Trancoso e do mundo

— A diferença entre portenhos e bonaerenses

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Uma das salas da casa principal: enormes janelas para a mata, muito conforto e amplos espaços para apenas 14 villas. Imagem: Shoichi Iwashita

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Cada villa possui 100 metros quadrados e tudo aqui foi construído para gerar o mínimo impacto ambiental. E os quartos não têm TV, o que faz com que, à noite, a gente consiga ouvir os barulhos da mata. Imagem: Shoichi Iwashita

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Cama e iluminação perfeitas. Imagem: Shoichi Iwashita

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O deque suspenso da villa, a pequena piscina integrada à natureza e privacidade total: não se vê as outras casas. Imagem: Shoichi Iwashita

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O banheiro possui banheira, sanitário e ducha separados — com chuveiro incrível, não dá vontade de sair do banho —, saída para o deque e cestas confeccionadas pelos índios guaraníes que moram vizinhos ao hotel. Imagem: Shoichi Iwashita

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Tomada universal no banheiro (e tem mais uma dessas no quarto). Por que todos os hotéis não são assim? Imagem: Shoichi Iwashita

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Na casa principal, o main lodge, a mesa onde você se senta com seu guia para discutir e definir os passeios. Imagem: Shoichi Iwashita

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Saindo para um passeio no Rio Paraná. Do outro lado do rio, o Paraguai. Imagem: Shoichi Iwashita

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Depois de navegar 10 minutos pelo arroyo Yasy, a lua guaraní, um afluente do rio Paraná, chega-se a essa linda cachoeira deserta. Imagem: Shoichi Iwashita

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Descemos do barco com nossa guia, nos trocamos ali mesmo no meio da mata e tomamos banho. Imagem: Shoichi Iwashita

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Depois de um passeio pela mata fechada, um almoço na cabana nos esperava. É a própria guia quem esquenta a comida preparada pelo chef  do hotel e nos serve. Ainda colhemos limão durante o passeio para temperar a salada. Incrível. Imagem: Shoichi Iwashita

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A vista da cabana do Awasi Iguazú ao partir pelo rio. Imagem: Shoichi Iwashita

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No jantar, uma seleção de vinhos fica à disposição dos hóspedes, sem custo adicional. Os rótulos da carta são pagos à parte. Imagem: Shoichi Iwashita

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Tudo feito na casa: do pão à manteiga queimada. Imagem: Shoichi Iwashita

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Uma belíssima ode à beterraba. Imagem: Shoichi Iwashita

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Sorbet de coco, a sobremesa do menu-degustação. Imagem: Shoichi Iwashita

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Turndown service feito. Imagem: Shoichi Iwashita

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Ovos feitos na hora com os ingredientes que você quiser (e estiverem à disposição no dia). Mas depois pedi mais uma. Imagem: Shoichi Iwashita

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Doce de leite (claro), geleias, pães, bolinhos, tudo feito in-da-house. Imagem: Shoichi Iwashita

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Sucos naturais, feitos com as próprias frutas. Imagem: Shoichi Iwashita

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A nossa guia, Maria, conhecia o cacique desta tribo guarani e conseguiu com que fizéssemos uma visita. E foi uma das experiências mais incríveis da viagem. No entanto, não pude fazer fotos em respeito a eles. Misiones é o único estado da Argentina onde existem diversas tribos indígenas. Imagem: Shoichi Iwashita

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Passeio pelo rio Iguazú. Muita água (dos rios, das cachoeiras, das cataratas), o verde da mata e a terra vermelha são as cores dessa viagem. Imagem: Shoichi Iwashita

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Chegando a Puerto Iguazú depois de visitar o encontro dos rios Iguaçu e Paraná, onde está a divisão entre Paraguai, Argentina e Brasil. Imagem: Shoichi Iwashita

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O barquinho que fez o nosso passeio. Imagem: Shoichi Iwashita

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No Parque Nacional, o trenzinho nos leva, no primeiro horário, direto para a Garganta do Diabo, a maior e mais impressionante queda d’água do parque. Imagem: Shoichi Iwashita

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Se lado brasileiro, se tem uma visão geral das Cataratas, só do lado argentino é possível sentir a força das águas. As cachoeiras da Garganta do Diabo são as maiores — com quase 80 metros de altura — e mais impressionantes das 275 cachoeiras do parque. Imagem: Shoichi Iwashita

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E você está praticamente dentro das cachoeiras. É uma força enorme. Imagem: Shoichi Iwashita

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Em um dos caminhos, o Paseo Superior, que leva para outra queda d’água, uma visão panorâmica. Imagem: Shoichi Iwashita

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El Salto Bossetti. Imagem: Shoichi Iwashita

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As lindas Dos Hermanas. Imagem: Shoichi Iwashita

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Na Ponte Tancredo Neves (ou Ponte Internacional da Fraternida), a divisa entre o Brasil e a Argentina. Imagem: Shoichi Iwashita

 

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