
Quadro Antropofagia, de 1929
A exposição Tarsila Viajante acabou na Pinacoteca e agora segue para o Malba. Além da rara possibilidade de ver seus três mais emblemáticos quadros lado a lado - A Negra, Abaporu e Antropofagia (que é uma junção das duas primeiras) - a exposição dá destaque às muitas e longas viagens ao exterior de Tarsila e a influência que elas tiveram sobre sua obra (e é muito interessante imaginar uma mulher nascida no interior de São Paulo viajando para Paris, Londres, Istambul, Cairo, Rhodes, Moscou, Leningrado - hoje São Petersburgo - ainda na década de 20!).
Filha de uma abastada família de cafeicultores, Tarsila perdeu toda a sua fortuna com a crise de 1929 e para fazer sua viagem à R£ssia (que depois iria influenciar obras como Operários, de 1933), precisou vender alguns de seus quadros. Também em 1929, acabaria o seu casamento com o escritor Oswald de Andrade (para quem havia pintado O Abaporu de presente de aniversério). Até a sua morte em 1973, fez apenas mais uma viagem internacional; dessa vez, ao Uruguai.
Além das pinturas de todas as fases da carreira da pintora que marcou o Modernismo brasileiro, Tarsila Viajante ainda mostra uma maleta para chapéus de couro, repleto de adesivos dos hotéis pelos quais passou, o que faz com que a gente imagine um pouco o glamour de ser uma jet-setter em plenos anos 20.
Se você não viu a exposição em São Paulo, aproveite a queda nas passagens aéreas para a América do Sul e o peso baratíssimo (um real hoje vale quase dois pesos) para dar um pulo no Malba, que é a dona do quadro Abaporu.
A exposição Tarsila Viajera começa no dia 28 de março e vai até 2 de junho de 2008.