
Através de um belo site com textos, explicações em áudio e um layout muito fácil e agradável de navegar, a primeira exposição virtual do MoMA (Museum of Modern Art, em Nova York), em cartaz na internet desde a semana passada, explora um tema bem interessante e que nos faz pensar.
As cores hoje estão partout: nas embalagens das comidas, nas revistas, na TV, na internet, no celular, nos carros, nas paisagens, nas roupas, nas construções; não passamos um só dia de nossas vidas sem sermos estimulados - consciente ou inconscientemente - por milhares de cores. Todas essas cores "industrializadas" têm sua origem em tabelas criadas por empresas que escolhem, produzem e disponibilizam suas cartelas cromáticas para o mundo, sejam através de tubos e latas de tintas (utilizadas em praticamente tudo), ou através das tabelas PANTONE para as indústrias gráfica e têxtil.
Nas artes em geral, artistas sempre utilizaram as cores como importantes meios de expressão. Até meados do século 18, a maioria dos pintores fabricava seus próprios pigmentos (como a gente pode ver no filme Moça com Brinco de Pérola, sobre a história de Vermeer), até que, no século 19, empresas descobriram formas mais baratas de produção (anteriormente, as tintas eram muitas vezes feitas com pedras preciosas e outras matérias-primas raras), tornando mais acessíveis tons de azuis, verdes, amarelos e vermelhos.
É o início da era da cor como produto massificado e padronizado. E o ponto de partida da exposição Color Chart: Reinventing Color.
Marcel Duchamp, artista que revolucionou o mundo das artes levando para os sagrados espaços museológicos peças do cotidiano revestidas de "conceito" (se apropriando de peças do dia-a-dia - um urinol, uma roda de bicicleta ou um secador de garrafas - ou mesmo de outros artistas - como a Gioconda de Da Vinci - e apresentando aos críticos as obras sem nenhuma interferência ou trabalho artístico, a não ser as suas idéias) é o ponto de partida da exposição. Numa pintura de 1918 (a sua última), Duchamp apresenta uma cascata de losangos com a cartela de cores produzida por uma fabricante de tintas, se apropriando das cores como se fossem um readymade.
Além de Duchamp, você pode ainda conferir obras de Ellsworth Kelly, Yves Klein, Warhol, Mondrian, Rauschenberg, Baldessari, Hirst, entre outras pinturas, fotografias e instalações de 44 artistas. Cobrindo o período de 1918 a 2008, Color Chart: Reinventing Color faz um apunhalado genial da obra desses artistas que abandonaram a busca romântica da expressão pessoal através das cores, utilizando apenas as produzidas em massa para expressarem suas idéias. "Direto da lata, nada pode ser melhor que isso", como diria Frank Stella.
Um site que vale a pena visitar sem pressa.
Serviço
Color Chart: Reiventing Color - 1950 to today
Em cartaz online até o dia 12 de maio de 2008.
Para acessar o site da exposição virtual, é só clicar aqui.