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  The Curious Case of Benjamin Button 

  Por Shoichi Iwashita

  Data: 3/3/2009

Provocando reflexões sobre o tempo, a vida e a velhice (serão todos sinônimos?) que ultrapassam a sala do cinema, O Curioso Caso de Benjamin Button é um belo filme que trata da irreversibilidade da vida. Claro que como bom blockbuster que é (apesar do diretor David Fincher ter um currículo mais “autoral”), o filme conta com algumas cenas “engraçadinhas” (como a do velhinho levando raios) totalmente desnecessárias. Mas... nada consegue tirar o brilho de Cate Blanchett e Tilda Swilton (belíssimas, belíssimas), da atuação de Taraji Henson (a mãe adotiva de Benjamin) e do trabalho impecável de maquiagem nos atores.

Baseado no conto de Francis Scott Fitzgerald, um dos grandes escritores norte-americanos do século 20 (e que soube retratar como ninguém a euforia da América pré-Grande Depressão), que se baseou em um frase de Mark Twain, O Curioso Caso... narra a história das vidas de Benjamin e Daisy do começo ao fim. Daisy, assim como nós, nasce, cresce, envelhece e morre. Já Benjamin, nasce (com um corpo de um velho de 90 anos – e com todas as suas doenças e particularidades), cresce, e rejuvenesce até morrer como um bebê.

Apesar da história fantástica e das diferenças extremas entre os corpos de Benjamin e Daisy – que têm praticamente a mesma idade e amadurecimento –, o filme nos mostra que a infância e a velhice, apesar de opostas, são dois momentos da vida em que estamos fragilizados, carentes de cuidados e quando nossos corpos e mentes – uma hora se formando; outra hora, degenerado – já não conseguem desenvolver no mundo a plenitude de seu potencial.

Todos nós, em maior ou menor grau, pensamos na velhice com um misto de ansiedade, angústia e incerteza (ou simplesmente evitamos pensar nela). E considerando esses processos “irreversíveis” da vida, também me pergunto: qual de nós também quis ser criança? Qual de nós quis nascer com esse corpo, nessa família, nessa casa, nesse bairro, nessa cidade, nesse país, com essas condições financeiras? Qual de nós quis ser amado/rejeitado, ser bem-sucedido/fracassado e ter passado por certas situações que moldaram nossa maneira de ver e viver a vida? Qual de nós quis encontrar e conhecer todas as pessoas que conhecemos e cruzamos e influenciamos/fomos influenciados até hoje? Qual de nós escolheu as doenças que tivemos e vamos ter?

No começo do filme, um relojoeiro cego que perde seu filho em combate, cria para a principal estação de trem da cidade, um relógio que anda para trás, na tentativa alusória de voltar no tempo e trazer de volta os mortos da guerra. Em outra cena, Benjamin questiona as ações de todos os envolvidos antes de um acidente, mostrando que, se apenas um deles – só um deles –, tivesse tido um timing diferente, o acidente não teria ocorrido (e tudo na vida não é assim?)

O que me faz pensar que, ou a vida é um eterno e absoluto caos-acaso, ou tudo já está escrito. E que todos nós vamos envelhecer e morrer (essas já estão escritas...) sendo tratados com a mesma atenção dispensada às crianças; quando não, usando fraldas...

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